Ciência e Tecnologia

Maior teia já registrada abriga 111 mil aranhas em caverna tóxica

Estrutura de 106 m², na fronteira Albânia-Grécia, abriga mais de 111 mil aranhas em um ambiente hostil, sustentado por energia química em vez de luz solar

Da redação
DA REDAÇÃO

24/11/2025 • 11:48 • Atualizado em 24/11/2025 • 11:48

Divulgação/Marek Audy

Pesquisadores encontraram, em uma caverna na fronteira entre a Albânia e a Grécia, o que pode ser a maior teia de aranha do planeta, cobrindo 106 metros quadrados. A estrutura cobre parte das paredes da chamada Caverna de Enxofre, revelando uma colônia com mais de 111 mil aracnídeos. As aranhas vivem em harmonia nesse ambiente hostil, que é escuro e saturado de gás sulfídrico.

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O achado foi detalhado na revista Subterranean Biology. O biólogo István Urák, da Universidade Sapientia da Transilvânia, liderou a descoberta e expressou admiração pelo achado: "O mundo natural ainda nos reserva inúmeras surpresas".

Um ecossistema único

A colônia é composta por duas espécies: cerca de 69 mil Tegenaria domestica (tecelãs-de-funil) e 42 mil Prinerigone vagans. Nenhuma das espécies era conhecida por viver em grupo. Blerina Vrenozi, zoóloga da Universidade de Tirana e coautora do estudo, afirmou nunca ter visto uma comunidade de aranhas com essa dinâmica.

A Caverna de Enxofre, nomeada pelo forte odor de gás sulfídrico, foi formada pela corrosão do ácido sulfúrico sobre o calcário. O ambiente é extremo, mantendo uma temperatura constante de 26 °C e concentrações de sulfeto de hidrogênio letais para a maioria dos animais.

Mesmo assim, ali prospera uma cadeia alimentar peculiar.

Energia química

A base da teia alimentar na caverna é sustentada por bactérias que oxidam o enxofre do gás e produzem matéria orgânica. Este processo, chamado quimioautotrofia, é típico de cavernas sulfurosas.

Essas bactérias formam biofilmes nas rochas que alimentam larvas e adultos de pequenos mosquitos não picadores (Tanytarsus albisutus), estimados em mais de 2,4 milhões. Os mosquitos, por sua vez, são a fonte de alimento das aranhas.

Análises isotópicas de carbono e nitrogênio confirmaram que a cadeia alimentar é totalmente sustentada internamente, sendo "um dos poucos casos conhecidos em que uma comunidade inteira é sustentada por energia química, não pela luz solar”.

Adaptação e cooperação inesperadas

A convivência entre as espécies, que em condições normais seriam predadoras, é atribuída à ausência de luz. A hipótese é que a escuridão faz com que as aranhas percam o estímulo predatório, levando-as a dividir o espaço e as presas.

O isolamento do local resultou em adaptações genéticas. Análises de DNA mostraram mutações exclusivas nas aranhas da caverna, além de um microbioma menos diverso. A tecelã-de-funil (T. domestica) também demonstrou padrões reprodutivos distintos, botando, em média, apenas 16 ovos por ninho, um número inferior ao de suas populações na superfície.

A megateia se mantém em constante renovação. As partes mais antigas se descolam, e novas camadas são tecidas, num ciclo que acompanha o fluxo de mosquitos.

O fenômeno é o primeiro a documentar tal comportamento de colônia em aranhas dessas famílias na Europa, demonstrando a "plasticidade genética notável" das espécies em condições extremas. Os pesquisadores, que enfrentaram o cheiro de enxofre e a dificuldade de respirar no local, alertam que a proteção da Caverna de Enxofre é fundamental devido ao risco de exploração mineral.

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