
O homem foi à Lua? Testes simples mostram a verdade sobre viagem ao espaço
Nasa
Imagens de sonda e um experimento com lasers e espelhos instalados por astronautas das missões Apollo permitem que cientistas confirmem, com testes replicáveis em observatórios na Terra, que seres humanos caminharam na superfície da Lua desde 1969.
Pegadas e módulos vistos do espaço
A tecnologia espacial permite atestar que o homem foi à lua.
Lançada pela Nasa em 2009, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) orbita o satélite natural e, em manobras especiais, desce a cerca de 22 quilômetros de altitude para fotografar a superfície. Nessa órbita baixa, a câmera de ângulo estreito LROC registra imagens com resolução de aproximadamente 25 centímetros por pixel.
Com esse nível de detalhe, os locais de pouso das missões Apollo aparecem claramente nas fotos.
Os estágios de descida dos módulos lunares, como o Eagle (Apollo 11), o Antares (Apollo 14) e o Orion (Apollo 16), surgem como estruturas brilhantes, cercadas por trilhas mais escuras deixadas pelas pegadas dos astronautas e pelo tráfego de jipes e equipamentos.
Como a Lua não tem atmosfera nem ventos significativos, essas marcas permanecem praticamente intactas décadas depois.
As imagens, disponíveis em bancos de dados públicos da Nasa, podem ser analisadas por qualquer pesquisador que queira comparar posições, sombras e trajetos com os registros originais das missões.

Os espelhos esquecidos no solo pelas missões Apollo 11, 14 e 15
Outro conjunto de evidências é o experimento conhecido como Lunar Laser Ranging (LLR). Durante as caminhadas na superfície, os astronautas das missões Apollo 11, 14 e 15 instalaram manualmente painéis refletores em pontos específicos da Lua.
Cada painel reúne dezenas de pequenos prismas de quartzo de alta pureza, os chamados cantos de cubo, capazes de devolver um feixe de luz exatamente na direção de onde ele veio.
Apollo 11 e Apollo 14 deixaram matrizes com cerca de 100 refletores cada, enquanto a Apollo 15 instalou um painel maior, com aproximadamente 300 unidades.
Esses dispositivos continuam em operação mais de meio século depois e são o único experimento das missões tripuladas à Lua que segue ativo de forma contínua.
Os refletores também funcionam em conjunto com alvos semelhantes colocados por sondas soviéticas, o que permite comparar medições obtidas por diferentes programas espaciais.
Como os lasers terrestres chegam à Lua
Para usar os espelhos, observatórios equipados com lasers de alta potência apontam seus feixes para as coordenadas exatas dos painéis.
Ao disparar pulsos curtos de luz e medir, com relógios atômicos, o tempo que cada pulso leva para ir até a Lua, refletir e voltar, os cientistas calculam a distância com precisão de milímetros.
Na prática, a luz demora em média 2,5 segundos para completar esse percurso de ida e volta. Como o feixe se espalha ao atravessar a atmosfera e ao longo dos quase 400 mil quilômetros até a Lua, a mancha luminosa chega ao solo lunar com vários quilômetros de diâmetro, o que reduz a chance de um fóton acertar o pequeno refletor e retornar até o telescópio.
Estudos estimam que apenas cerca de 1 em 25 milhões dos fótons emitidos a partir da Terra atinja o conjunto de refletores da Apollo 11 e que a probabilidade de o fóton refletido voltar exatamente para o detector seja ainda menor.
Por isso, as estações de LLR disparam dezenas de milhares de pulsos e filtram cuidadosamente os sinais recebidos para isolar os poucos fótons de retorno.
Laboratórios como o centro Goddard, nos Estados Unidos, e o Observatório da Côte d'Azur, na França, registram esses retornos de luz de forma rotineira há décadas.
As medições mostram, por exemplo, que a órbita da Lua se afasta da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano e ajudam a estudar a estrutura interna do satélite.
O fato de que os pulsos de laser retornam apenas quando apontados para as coordenadas exatas dos refletores instalados pelas missões Apollo, e não para regiões vizinhas, é tratado pela comunidade científica como prova física direta de que esses equipamentos permanecem no solo lunar.
Combinados às imagens detalhadas da LRO, esses resultados formam um conjunto de evidências independentes que qualquer observatório com instrumentação apropriada pode testar, reforçando a conclusão de que o homem esteve, de fato, na Lua.

