
Tufão Bavi se aproxima da China
Reprodução/Nasa
O 9º ciclone tropical da temporada de 2026 avança em direção ao leste da China. O tufão Bavi, que já atingiu o status de supertufão em seu deslocamento pelo Oceano Pacífico, coloca as autoridades locais em regime de prontidão máxima. Com ventos sustentados que variam entre 144 km/h e 155 km/h, o fenômeno possui um raio de influência gigantesco — cerca de 1.000 km de largura — e deve tocar o solo chinês na noite deste sábado (11).
O principal ponto de impacto previsto fica na costa litorânea entre as províncias de Zhejiang e Fujian. Diante da ameaça iminente, o Comando Nacional de Controle de Enchentes e Combate à Seca da China elevou a resposta de emergência para o Nível III, enquanto o Observatório Nacional mantém um severo alerta laranja para as navegações e cidades litorâneas.
Rastro de mortes
A chegada do Bavi agrava um cenário que já é de calamidade pública na região. Antes de mirar o território chinês, a tempestade passou pelas Filipinas, deixando ao menos 15 mortos e vários desaparecidos na ilha de Mindanao. Outras duas fatalidades foram registradas em ilhas do Pacífico, elevando o balanço inicial para 17 vítimas fatais associadas diretamente ao tufão.
Para a China, o momento é delicado. O país tenta se restabelecer de uma semana devastadora de extremos climáticos. Dias antes, a passagem do tufão Maysak castigou o sul do país, provocando inundações históricas e o rompimento parcial de uma barragem na região de Guangxi, resultando em 39 mortes. Paralelamente, tornados severos atingiram a província central de Hubei, deixando mais 11 mortos.
Evacuações em massa e portos fechados
Para mitigar a nova ameaça, o governo chinês corre contra o relógio para proteger os centros urbanos. Na província de Zhejiang, mais de 17 mil pessoas já foram retiradas de áreas de risco e encostas. Em Xiaguan, uma cidade costeira localizada na rota direta dos ventos, as autoridades decretaram a evacuação obrigatória de todos os seus 11,6 mil moradores.
O sistema de transporte também foi fortemente impactado. Toda a navegação comercial e de passageiros no trecho do Rio Yangtzé que corta a província de Jiangsu foi interrompida, e milhares de barcos pesqueiros foram ordenados a retornar imediatamente aos portos. Voos e linhas de balsas na região foram cancelados.
Em Pequim, o governo federal coordenou o envio emergencial de 50 mil itens de ajuda humanitária — como camas dobráveis, cobertores e kits de primeiros socorros — para abastecer os abrigos públicos. Mais de 170 mil socorristas e profissionais de saúde estão posicionados de prontidão para responder a deslizamentos de terra e alagamentos nas próximas horas.
Como se forma um tufão?
Cientificamente, tufão é o nome dado aos ciclones tropicais que se desenvolvem especificamente no norte do Oceano Pacífico Ocidental (em outras regiões, como no Atlântico, recebem o nome de furacões). Eles funcionam como gigantescas máquinas térmicas que dependem de fatores específicos para ganhar força:
Água oceânica aquecida: A temperatura da superfície do mar precisa estar acima de 26,5°C. Esse calor evapora a água rapidamente, criando uma coluna densa de ar quente e úmido que sobe para a atmosfera.
Baixa pressão e rotação: À medida que esse ar sobe, gera uma zona de baixa pressão na superfície. O ar ao redor corre para preencher esse espaço. Com o movimento de rotação da Terra (Efeito Coriolis), esses ventos começam a girar no sentido anti-horário no Hemisfério Norte.
Cisalhamento fraco: Para que a tempestade se organize em um formato circular perfeito e crie o famoso "olho", as correntes de vento em diferentes altitudes precisam soprar em direções semelhantes. Se o vento for muito instável no topo, o sistema se desfaz; se estiver calmo, ele se intensifica e se transforma em supertufão, exatamente como ocorreu com o Bavi.

