Ciência e Tecnologia

Veneno de marimbondo pode ajudar no tratamento contra Alzheimer, mostra estudo

Pesquisa da UnB isola o composto e avança para testes em modelos biológicos após resultados positivos contra placas beta-amiloides

Por Redação
REDAÇÃO

26/11/2025 • 10:08 • Atualizado em 26/11/2025 • 10:08

Marimbondo

Marimbondo

Freepik

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), liderados pela professora Luana Cristina Camargo, deram um passo importante na busca por novas estratégias contra o Mal de Alzheimer. Em testes de laboratório, a equipe identificou o peptídeo Octovespina no veneno de marimbondo, que se mostrou capaz de interferir no acúmulo da proteína beta-amiloide.

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O composto foi isolado do veneno e colocado em testes que observam sua ação diante da proteína beta-amiloide, ligada ao avanço da doença. A proteína forma placas no cérebro e cria bloqueios que atrapalham a comunicação entre os neurônios.

O Alzheimer está diretamente ligado ao acúmulo dessas placas, que comprometem a comunicação neural e provocam a morte celular progressiva. A ação da Octovespina sobre esse acúmulo, registrada em laboratório, indica que o veneno de marimbondo pode servir como ponto de partida para novas linhas de estudo.

A observação mais marcante até agora foi o efeito direto da Octovespina sobre a beta-amiloide. O estudo mostrou que o peptídeo atua reduzindo a formação dessas placas em condições controladas.

Na visão dos pesquisadores, a substância pode retardar a perda de memória, a dificuldade de raciocínio e outros sintomas cognitivos típicos da doença.

Ação na causa molecular da degeneração

Em vez de apenas agir sobre os sintomas, a estratégia da UnB busca atuar na causa molecular da doença neurodegenerativa. O composto é responsável por parte dos efeitos biológicos do veneno, indicando uma nova via terapêutica ainda em investigação.

Os pesquisadores também investigam se a Octovespina pode atuar em pontos além das placas de beta-amiloide. Isso ocorre porque o Alzheimer envolve outros processos químicos além da formação de placas.

Um desses processos é a inflamação no cérebro e outro é o estresse oxidativo. O veneno de marimbondo abriga moléculas com efeitos sobre esses mecanismos, o que justifica a investigação mais ampla, segundo a equipe.

O peptídeo isolado funciona como fonte de moléculas que podem ser reproduzidas em laboratório de forma controlada. Essa reprodução é essencial para manter segurança e ética no processo, sem a retirada direta dos insetos.

Investimento de R$ 1,1 milhão e testes futuros

O projeto recebeu um investimento de R$ 1,1 milhão da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). Além disso, a iniciativa conta com apoio do governo federal.

Esse valor permite a continuidade das análises e a estrutura para produzir a Octovespina em laboratório. Com o composto sintetizado, os testes ganham estabilidade e controle, o que é vital em pesquisas desse tipo.

A equipe pretende agora avançar para análises mais amplas. Isso inclui testes em modelos biológicos capazes de mostrar a resposta do organismo como um todo e não apenas de células isoladas.

O grupo da UnB reforça que a pesquisa está em fase inicial e que ainda não existe teste em humanos. A ideia é, primeiro, garantir que a molécula sintetizada em laboratório mantenha a mesma ação da encontrada no veneno.

Após essa etapa de segurança, será possível planejar estudos que envolvam modelos vivos e, em seguida, voluntários selecionados. Cada fase segue normas rígidas para garantir a segurança e eficácia do composto.

Caminho aberto para novas fronteiras

Se as próximas etapas confirmarem os primeiros resultados, o veneno de marimbondo poderá abrir caminho para soluções no Alzheimer. O estudo inicial indica que o composto pode se transformar em base para um futuro medicamento, após rigorosos testes.

Além disso, a pesquisa pode ajudar no tratamento de outras condições ligadas à inflamação e ao estresse oxidativo no cérebro. A equipe reforça que a pesquisa está em fase inicial, mas com sinais que justificam novos investimentos.

Essa descoberta coloca o veneno de marimbondo em um lugar pouco imaginado pelo público. O estudo da UnB mostra como observar detalhes da natureza pode trazer caminhos antes não explorados na jornada de pesquisa e inovação.

Entenda o Alzheimer

Apesar da busca por um tratamento definido e da fase promissora dos estudos com a Octovespina, o risco de desenvolvimento do Mal de Alzheimer pode ser reduzido por meio da adoção de hábitos saudáveis.

Entre as medidas que ajudam a proteger os neurônios estão manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente. A recomendação também inclui evitar o tabagismo.

É fundamental, ainda, estimular o cérebro por meio de leitura e aprendizado contínuo. Tais ações podem retardar o aparecimento dos sintomas da doença, conforme apontam os especialistas.

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