Economia

Bancos elevam projeção de crescimento do crédito para 8,2% em 2026

Pesquisa da Febraban aponta que 73,7% das instituições preveem desaceleração gradual devido à resiliência do mercado de trabalho e estímulos públicos.

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

01/01/2026 • 15:44 • Atualizado em 01/01/2026 • 15:51

Bancos

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Agência Brasil

O setor bancário revisou para cima as expectativas de crescimento da carteira de crédito para 2026. De acordo com pesquisa divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a projeção de expansão subiu de 7,9% para 8,2%. Para o fechamento de 2025, a estimativa também avançou, passando de 8,9% para 9,2%.

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Sete em cada dez bancos (73,7%) avaliam que a desaceleração do crédito será gradual. O entendimento é de que o mercado de trabalho aquecido e os estímulos públicos compensam o impacto da política monetária contracionista e o avanço da inadimplência. O levantamento ouviu 20 instituições financeiras entre os dias 17 e 19 de dezembro.

Crédito direcionado puxa a expansão

A principal mudança nas expectativas recai sobre o crédito direcionado, operado majoritariamente por bancos públicos. A projeção de crescimento para esta modalidade em 2026 subiu de 9% para 9,4%, superando a alta de 7,6% prevista para o crédito com recursos livres.

Para 2025, a estimativa do crédito direcionado também foi ajustada, saltando de 10,1% para 10,9%. Segundo a Febraban, os números demonstram que a carteira mantém um ritmo elevado de crescimento, mesmo diante do cenário de alta da taxa Selic.

Juros, inflação e cenário fiscal

O levantamento detalha as perspectivas do setor para a economia brasileira nos próximos meses:

Selic e Juros: 70% dos entrevistados acreditam que o Banco Central iniciará o corte de juros apenas em março, reduzindo a taxa dos atuais 15% para 13% até agosto.

Inadimplência: A expectativa é de uma leve alta, passando de 5,1% em 2025 para 5,2% em 2026.

Inflação: Metade dos bancos avalia que estímulos fiscais e o mercado de trabalho aquecido podem impedir que a inflação recue para a meta de 3,5% estipulada pelo BC.

Desafios no arcabouço fiscal

Em relação às contas públicas, 80% das instituições financeiras consultadas acreditam que o governo precisará de medidas extras para cumprir a meta do arcabouço fiscal de déficit zero.

A avaliação do setor é que o governo deve manter a estratégia de focar no aumento de receitas ou optar pela retirada de despesas do limite do arcabouço para atingir o objetivo fiscal.