Economia

Como a tensão entre Irã, Israel e EUA impacta o seu bolso no dia-a-dia

Especialistas alertam que instabilidade na região pode disparar o preço do petróleo e gerar "efeito dominó" na inflação global e brasileira

Da redação
DA REDAÇÃO

13/03/2026 • 14:59 • Atualizado em 13/03/2026 • 14:59

Conflitos no Oriente Médio impactam a economia mundial

Conflitos no Oriente Médio impactam a economia mundial

ROYAL THAI NAVY/Handout via REUTERS

A escalada de tensões envolvendo o Irã, Israel e os Estados Unidos voltou a colocar o Oriente Médio no centro do debate econômico global. Além das implicações geopolíticas, especialistas avaliam que os efeitos do conflito podem chegar rapidamente à economia real, pressionando preços de energia, cadeias de produção e custos para empresas e consumidores.

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Para o empresário Beny Fard, iraniano radicado no Brasil e especialista em macroeconomia e investimentos, o cenário atual precisa ser analisado para além da dimensão militar. Segundo ele, a instabilidade regional tem potencial para provocar impactos relevantes em mercados estratégicos. “O Irã ocupa uma posição extremamente relevante na geopolítica global. Qualquer instabilidade na região do Golfo Pérsico afeta diretamente o mercado internacional de petróleo, que ainda é a base energética de grande parte da economia mundial”, afirma Fard.

O peso do Estreito de Ormuz

O Irã detém cerca de 9% das reservas globais de petróleo, segundo a Opep. No entanto, o maior risco reside na logística: a região abriga o Estreito de Ormuz, gargalo por onde passa: 20% de todo o petróleo comercializado no planeta; 20% de todo o gás natural mundial e 45% do enxofre e 35% da ureia, um fertilizante essencial para o agronegócio. De acordo com a consultoria Rystad Energy, um eventual bloqueio parcial dessa rota marítima poderia elevar o barril de petróleo para patamares acima de US$ 120.

Efeito dominó: da energia ao supermercado

Segundo Daniel Toledo, advogado especialista em Direito Internacional, os impactos econômicos de conflitos dessa natureza costumam ocorrer em cadeia, atingindo o consumidor final.

“Quando há instabilidade no Oriente Médio, o primeiro reflexo aparece no petróleo. A partir daí, há um efeito dominó: energia mais cara, transporte mais caro, logística mais cara e, no final dessa cadeia, produtos mais caros”, explica Toledo.

As três frentes de impacto para as empresas:

  • Custo Energético: Aumento imediato em combustíveis e insumos derivados.
  • Instabilidade Cambial: Em crises, investidores buscam segurança no dólar, o que encarece a moeda frente ao Real.
  • Impacto Logístico: 80% do comércio global é marítimo; rotas arriscadas aumentam o valor dos fretes e seguros.

Para economias emergentes como a brasileira, a tensão geopolítica gera a chamada "inflação importada". Setores intensivos em transporte — como o agronegócio, a indústria e o varejo — costumam ser os primeiros a sentir a pressão. “O combustível é um dos principais componentes de custo de praticamente todas as cadeias produtivas. O que acontece no Oriente Médio não fica restrito à região”, reforça Beny Fard.

Enquanto o cenário permanece incerto, a recomendação de economistas para empresas e consumidores é de cautela e planejamento estratégico, visando lidar com a possível volatilidade de custos nos próximos meses.