
A inflação e os custos são as maiores preocupações do Banco Central diante da alta do petróleo
Marcello Casal/Agência Brasil
O sonho de uma queda mais acentuada na taxa Selic em 2026 ganhou um novo obstáculo: o barril de petróleo do tipo Brent consolidado acima dos US$ 100. O que parece apenas uma questão de mercado internacional tem impacto direto no bolso do brasileiro e, consequentemente, nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O movimento de alta, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e cortes na produção global, cria um efeito cascata que atinge desde o preço do frete até a prateleira do supermercado.
O "efeito petróleo" na inflação
O principal motivo para a cautela do Banco Central é a inflação de custos. Quando o petróleo sobe, o impacto é sentido em duas frentes principais:
- Combustíveis: A Petrobras, seguindo sua política de preços, tende a repassar parte da alta internacional para o diesel e a gasolina.
- Logística: O diesel mais caro encarece o transporte de carga em todo o país. Como o Brasil é dependente do modal rodoviário, o preço dos alimentos e produtos industrializados sobe rapidamente.
Analistas de mercado já revisaram as projeções para o IPCA de 2026, que agora flutua próximo de 5,4% — bem acima do centro da meta estabelecida.
Por que a Selic não cai?
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem ou as expectativas para o futuro (2027 e 2028) começam a descolar da meta, o BC se vê obrigado a manter os juros altos para frear o consumo e segurar o dólar.
O que esperar das próximas reuniões?
O mercado, que antes projetava cortes graduais de 0,50 ponto percentual, já trabalha com um cenário de "prudência extrema". As opções na mesa para a próxima reunião são:
Redução menor: Um corte de apenas 0,25 p.p. para sinalizar vigilância.
Manutenção: Manter a Selic no patamar atual (em torno de 15%) até que o cenário internacional se estabilize.
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