
Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo
Resumo
Pesquisa do Datafolha mostra que 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada semanal de trabalho, com aumento desse apoio em relação à pesquisa anterior e destaque para maior adesão entre mulheres e trabalhadores com até cinco dias de trabalho por semana.
Proposta em debate no Congresso prevê substituição da escala 6x1 pelo modelo 5x2, sem redução salarial, sendo tratada como prioridade pelo governo e recebendo manifestações de ministros e realização de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça.
Opinião dos entrevistados se divide quanto aos impactos econômicos: 39% esperam efeitos positivos para as empresas e 39% negativos, enquanto 50% avaliam que a mudança teria impacto ótimo ou bom para a economia do país.
Pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (14) indica que a maioria dos brasileiros apoia a mudança no modelo de jornada conhecido como escala 6x1 — em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um. O tema está em debate no Congresso Nacional e ganhou força nas últimas semanas, impulsionado por declarações de integrantes do governo e pela avaliação de que a proposta pode ter apelo eleitoral.
De acordo com o levantamento, 71% dos entrevistados defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana no país. Outros 27% se dizem contrários à mudança, enquanto 3% não souberam responder. O apoio cresceu em relação à pesquisa anterior do instituto, realizada em 12 e 13 de dezembro de 2024, quando 64% eram favoráveis e 33% se posicionavam contra.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A proposta discutida prevê substituir a escala 6x1 por uma jornada semanal de 40 horas, sem redução salarial, distribuída em cinco dias de trabalho e dois de descanso — modelo conhecido como 5x2. O assunto é tratado como prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pronunciamento no Dia Internacional da Mulher, o presidente afirmou que a redução da jornada pode beneficiar especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam o emprego formal com tarefas domésticas.
Os dados da pesquisa mostram maior apoio feminino à mudança: 77% das mulheres defendem a redução da jornada, contra 64% dos homens. Nesse recorte, a margem de erro é de três pontos percentuais.
A discussão ganhou impulso após manifestações públicas de ministros do governo, entre eles o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Na Câmara dos Deputados, o tema começou a avançar: na última terça-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizou uma audiência pública para discutir propostas de alteração do modelo. Uma eventual aprovação no colegiado é considerada o primeiro passo para o avanço da tramitação.
A pesquisa também indica diferenças de opinião conforme o regime de trabalho dos entrevistados. Entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana (53%), 76% apoiam a mudança. Já entre os que atuam seis ou sete dias (47%), o índice de apoio cai para 68%. Segundo o Datafolha, a diferença pode estar relacionada ao perfil desses grupos. Entre os que trabalham mais dias, há maior presença de autônomos e empresários, que podem ver no tempo adicional de trabalho uma forma de ampliar a renda. Entre os que trabalham menos dias, há maior participação de servidores públicos, cuja remuneração tende a ser menos dependente da duração da jornada.
Em relação à carga diária, 66% afirmam trabalhar até oito horas por dia, 28% entre oito e 12 horas, e 5% mais de 12 horas. Outros 1% não souberam responder.
Quando questionados sobre possíveis impactos econômicos, os entrevistados se dividem sobre os efeitos da mudança para as empresas: 39% acreditam que o fim da escala 6x1 traria consequências positivas, enquanto outros 39% avaliam que os efeitos seriam negativos. Em dezembro, 42% apontavam impacto negativo, o que indica leve mudança de percepção. Já sobre a economia do país como um todo, 50% consideram que a alteração teria efeito ótimo ou bom, enquanto 24% projetam impacto ruim ou péssimo.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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