
Estudo mostra que as mulheres têm mais dificuldades de terem uma reserva financeira
Pixabay/TungArt7
A construção de uma reserva de emergência, um dos pilares fundamentais da educação financeira, permanece como um grande desafio para a maioria dos brasileiros. Entretanto, um levantamento inédito realizado pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, escancara uma desigualdade significativa: a dificuldade em poupar é ainda mais acentuada entre as mulheres.
Segundo os dados da pesquisa, 81% das mulheres não possuem reserva de emergência, um índice 12 pontos percentuais acima do registrado entre os homens. Além disso, apenas 17% do público feminino consegue pagar todas as contas do mês e ainda guardar dinheiro, enquanto entre os homens esse percentual chega a 29%. Quando questionadas sobre os principais obstáculos, a renda insuficiente para cobrir as despesas é citada por 30,3% das mulheres, contra 21,5% dos homens.
Enquanto 32% dos homens afirmam ter algum tipo de reserva financeira, entre as mulheres esse índice cai para apenas 19%. No que diz respeito às preocupações financeiras, ambos os gêneros convergem em um ponto crítico: a quitação de dívidas atrasadas é a prioridade para 45% das mulheres e 43% dos homens.
O cenário de vulnerabilidade econômica feminina também é detectado pelo Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Segundo dados de maio de 2026, as mulheres compõem 50,5% do total de consumidores inadimplentes no Brasil. Em um ano, a inadimplência entre elas cresceu 9,2%, superando o aumento registrado entre os homens, que foi de 7,8%.
Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, explica que o acúmulo de funções e a responsabilidade pela gestão do orçamento doméstico pesam na conta. "Muitas mulheres ainda concentram seus esforços em conseguir fechar o orçamento do mês, o que faz com que o planejamento de longo prazo fique em segundo plano. Quando a renda é consumida pelas despesas essenciais, sobra pouco espaço para formar uma reserva de emergência ou lidar com imprevistos sem recorrer ao crédito", aponta.
Embora o controle de gastos seja uma prática comum, a pesquisa mostra que o planejamento estratégico é o que diferencia o equilíbrio financeiro. Para as mulheres, a renda insuficiente é o principal entrave para a saúde das contas, impactando 30% delas. "Controlar os gastos, por si só, nem sempre é suficiente. O controle é uma etapa importante, mas precisa estar acompanhado de planejamento e definição de prioridades", reforça Aline.
A especialista sugere estabelecer metas realistas de economia, revisar despesas recorrentes e definir um valor fixo para guardar assim que a renda entrar, transformando o hábito em um compromisso mensal. A adoção dessa disciplina, segundo a especialista, é fundamental para reduzir a dependência do crédito em momentos de aperto e fortalecer a segurança financeira a longo prazo.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box entre 05 e 18 de maio de 2026, com 1.050 entrevistas online em todo o Brasil. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
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