
Mulheres lideram IDH em estudo e saúde, mas renda ainda é barreira
Agência Brasil
As brasileiras vivem mais e possuem maior nível de escolaridade do que os homens em todas as 27 unidades da federação, mas esse desempenho superior é interrompido quando atravessa as portas do mercado de trabalho, segundo aponta o relatório Radar IDHM, que avalia o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.
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Embora liderem as dimensões de Educação e Longevidade, as mulheres sofrem um "rebaixamento" drástico na dimensão Renda: enquanto 11 estados colocam os homens no patamar de elite (muito alto desenvolvimento) para rendimentos, nenhuma unidade da federação atinge esse nível para a população feminina.
O abismo entre os gêneros revela uma trajetória de excelência feminina em duas das três dimensões do IDHM. No quesito Longevidade, as mulheres alcançaram o nível de muito alto desenvolvimento em todos os estados brasileiros em 2024. O dado mais simbólico dessa liderança é que o menor índice de longevidade feminina no país (Roraima, com 0,870) ainda é superior ao maior índice registrado entre os homens (Distrito Federal, com 0,856).
Na Educação, o cenário se repete: em todas as unidades da federação, o resultado das mulheres supera o dos homens. Em 2024, 17 estados já posicionavam as mulheres na faixa de desenvolvimento muito alto para educação, enquanto apenas cinco estados alcançaram esse patamar para o público masculino. No DF, por exemplo, o IDHM Educação feminino chega a 0,858, contra 0,843 dos homens.
O gargalo do mercado de trabalho
A disparidade torna-se crítica quando o índice é ajustado à renda do trabalho. Nessa dimensão, o cenário inverte-se completamente, e os homens apresentam resultados superiores em todas as unidades da federação.
Enquanto a maioria dos estados brasileiros oferece aos homens um patamar de renda classificado como alto ou muito alto, 24 unidades da federação mantêm as mulheres na faixa de médio desenvolvimento de renda. Apenas três estados (DF, SP e RJ) conseguem elevar a renda feminina para o patamar alto, mas ainda assim longe do topo da pirâmide ocupado pelos homens.
Abismo nas regiões metropolitanas
A análise das 21 regiões metropolitanas e redes integradas de desenvolvimento do país reforça essa exclusão econômica. Em 12 dessas regiões, as mulheres estão presas na faixa de médio desenvolvimento de renda, um nível de remuneração inferior que não atinge os homens em nenhuma das metrópoles analisadas.
Em termos de valores reais, a distância é gritante: no Distrito Federal, o rendimento médio do trabalho para os homens é de R$ 2.536,19, enquanto para as mulheres é de R$ 1.934,56. A maior desigualdade de renda ajustada foi registrada em Goiás, onde a diferença de rendimento per capita entre os sexos chega a quase R$ 500,00 em favor dos homens.
Os organizadores do Radar IDHM destacam que a desigualdade de gênero permanece como um dos padrões persistentes de exclusão no Brasil. O relatório conclui que a escolaridade e a vida longa das mulheres não têm sido suficientes para romper as barreiras estruturais do mercado de trabalho.

