
IDHM identifica barreira da cor
Agência Brasil
O Brasil atingiu em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de sua história. O progresso nacional, no entanto, caminha em velocidades distintas para diferentes raças. O abismo é tamanho que o nível de bem-estar dos negros hoje ainda é inferior ao que os brancos já haviam conquistado há 12 anos.
Brasil entra em grupo de elite do IDH, mas desigualdade 'rebaixa' o país
Segundo o relatório Radar IDHM, a população negra permanece sistematicamente uma faixa de desenvolvimento abaixo da população branca. Enquanto brancos registram um índice de 0,851 (muito alto desenvolvimento), os negros alcançam 0,774 (alto desenvolvimento).
O levantamento realizado pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro revela que a desigualdade racial diminuiu no período de 2012 a 2024 — com a distância relativa caindo de 14% para 9% —, mas a estrutura de exclusão permanece sólida. Em 2024, 25 das 27 unidades da federação possuem a população branca na faixa de "muito alto desenvolvimento", enquanto, para a população negra, esse patamar de elite é realidade em apenas duas unidades: DF e SP.
O dado mais alarmante surge no cruzamento entre raça e geografia: a comparação entre o IDHM da população branca do Distrito Federal (0,899) e o da população negra de Alagoas (0,727) revela uma distância de 0,172 ponto, evidenciando que, dentro do mesmo país, cidadãos vivem realidades sociais de países completamente distintos.
Renda: o núcleo da desigualdade
É na dimensão Renda que a barreira de cor se manifesta de forma mais cruel. De acordo com o Radar IDHM, dez estados brasileiros alcançaram o nível "muito alto" de desenvolvimento de renda para a população branca, mas nenhuma unidade da federação atingiu esse patamar para a população negra.
No sentido inverso, 13 estados mantêm a população negra na faixa de "médio desenvolvimento" de renda, uma classificação de baixa remuneração que não atinge os brancos em nenhum lugar do país. Em termos monetários, enquanto a renda domiciliar per capita dos brancos é de R$ 1.208,58, a dos negros é de apenas R$ 673,65 —pouco mais da metade.
Avanços na Educação e Longevidade
Apesar dos gargalos financeiros, houve progressos significativos em outras áreas. A dimensão Educação foi a que mais cresceu para a população negra desde 2012, com uma taxa média anual de 1,78%. Ainda assim, a escolaridade adulta segue desigual: 76,63% dos brancos completaram o ensino fundamental, contra 67,33% dos negros.
Na Longevidade, a trajetória também é de melhora, com a esperança de vida ao nascer dos negros subindo de 72,7 anos em 2012 para 75,7 anos em 2024. No entanto, a distância para a população branca permanece estagnada em quatro anos de vida a menos para os negros.
Para os organizadores do estudo, os dados reforçam que o desenvolvimento humano pleno no Brasil não é mais uma questão de falta de riqueza ou tecnologia, mas um desafio político, social e distributivo.

