
Brasil alcança marca histórica no Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)
Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil atingiu em 2024 a marca histórica de 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), ingressando oficialmente no seleto grupo das nações com "muito alto desenvolvimento". O dado é do relatório Radar IDHM divulgado nesta terça-feira (26).
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O avanço, no entanto, esconde um cenário de exclusão: quando o progresso é ajustado pelas disparidades internas, o índice brasileiro cai para 0,641, o que "rebaixa" o país para o patamar de médio desenvolvimento e revela que a desigualdade consome 20,4% do potencial de bem-estar da população.
Embora o índice oficial de 0,805 seja um marco a ser celebrado, a introdução do IDHM Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) funciona como um "banho de realidade" estatístico. Ao considerar como as conquistas em saúde, educação e renda são distribuídas, o relatório evidencia que o desenvolvimento permanece distante de uma parcela significativa da sociedade que não se vê representada pela média nacional.
Essa perda de 20,4% no potencial de desenvolvimento, embora menor do que os 23,9% registrados em 2012, mostra que a estrutura social brasileira ainda impede que os ganhos de produtividade e políticas públicas cheguem à base da pirâmide de forma equânime.
Educação lidera avanços
Entre as dimensões analisadas, a Educação foi o principal motor de crescimento no período de 2012 a 2024, com uma taxa média anual de 1,35%, superando inclusive os retrocessos causados pela pandemia em 2021. Em contraste, as dimensões de Renda e Longevidade tiveram avanços mais lentos, com média de 0,31% ao ano.
É na Renda que a desigualdade mostra sua face mais severa: enquanto o índice oficial é de 0,760, o valor ajustado à realidade cai para 0,508, uma perda alarmante de 33,1% de potencial. Na prática, a concentração de recursos impede que o crescimento econômico se traduza em qualidade de vida para todos.
O documento, realizado em parceria pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro, conclui que o Brasil já possui riqueza e tecnologia suficientes para garantir dignidade a todos os seus cidadãos. Segundo o relatório, o obstáculo para um desenvolvimento pleno não é mais a escassez de recursos, mas, sim, um desafio político, social e distributivo.

