Economia

Dólar fecha perto de R$ 6 em meio ao acirramento da guerra comercial entre EUA e China

Presidente americano anunciou taxa de 104% às importações chinesas depois dos asiáticos responderem à taxação imposta pelo magnata na última semana

Da redação
DA REDAÇÃO

08/04/2025 • 14:35 • Atualizado em 08/04/2025 • 14:35

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REUTERS/Lee Jae-Won

Resumo

O dólar comercial chegou a passar a marca de R$ 6 no início da tarde desta terça-feira (8), mas fechou o dia cotado a R$ 5,997. É o maior valor da moeda desde 21 de janeiro deste ano.

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Desde a última quinta (3), dia seguinte ao anúncio do “tarifaço” dos Estados Unidos pelo presidente Donald Trump, o valor da moeda norte-americana subiu R$ 0,37

O valor chegou a passar a barreira dos R$ 6 às 14h14 (horário de Brasília), pouco tempo depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor taxas extras, totalizando 104%, sobre as importações chinesas após o fim do prazo dado pelo americano para que os asiáticos retirassem a retaliação feita contra os produtos americanos.

Em resposta ao “tarifaço” imposto pelo presidente na última semana, que taxou os produtos de Pequim em 34%, o governo chinês anunciou que retaliaria o governo americano impondo uma tarifa igualitária sobre os produtos do país de Trump.

Pelas redes sociais, o bilionário afirmou que se a China não retirasse “seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão tarifas de 50%, com efeito em 9 de abril”.Mais cedo, antes de encerrar o prazo, Trump escreveu que os asiáticos queriam negociar, e que ele estava esperando uma ligação – o que não aconteceu. "A China também quer fazer um acordo, muito, mas eles não sabem como começar. Estamos esperando a ligação deles. Vai acontecer!", disse Trump.

O governo chinês, por sua vez, demonstrou resiliência e prometeram lutar até o fim se os Estados Unidos insistirem em intensificar a guerra comercial e tarifária. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que as ações do lado americano não demonstraram nenhuma disposição genuína para um diálogo sério. Além disso, o porta-voz citou que o país irá tomar todas as contramedidas necessárias para proteger seus interesses. A pasta afirmou que as contramedidas anunciadas na última sexta-feira por Pequim, que incluem uma taxa de 34% sobre todos os produtos comprados dos EUA, são "completamente legítimas" e "visam proteger sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento, e manter uma ordem comercial internacional normal".

Quedas nas bolsas do Brasil e EUA continuam

Em efeito dominó, ações ligadas ao minério de ferro e ao petróleo - com grande peso na Bolsa brasileira - prejudicam o Ibovespa, que perdeu o nível dos 124 mil pontos no período da tarde. O Ibovespa fechou em queda de 1,32%, aos 123.931,89 pontos, após mínima (-1,70%) aos 123.454,24 pontos e máxima (+1,64%) aos 127.651,60 pontos.

As bolsas de Nova York perderam os ganhos acumulados pela manhã e encerram a sessão desta nesta terça-feira, 8, em queda - com o S&P fechando abaixo dos 5000 pontos pela primeira vez em um ano. O Dow Jones caiu 0,84%, aos 37.645,59 pontos; o S&P 500 cedeu 1,57%, aos 4.982,77 pontos; e o Nasdaq perdeu 2,15%, aos 15.267,91 pontos.

As ações da Apple caíram 5% no dia e perderam 23% desde o anúncio da tarifa recíproca da semana passada, fazendo com que a empresa perdesse o posto de “mais valiosa do mundo”. Isso coloca a capitalização de mercado da Apple em US$ 2,59 trilhões. A Microsoft, com queda de apenas 7% no mesmo período, fechou terça-feira com uma capitalização de mercado de US$ 2,64 trilhões.

Já as bolsas da Europa encerraram o pregão desta terça-feira, 8, com fortes ganhos, revertendo uma sequência de quatro sessões consecutivas de quedas provocadas pelas crescentes tensões globais em torno das tarifas comerciais. O movimento, segundo especialistas, acompanha a recuperação modesta observada nos mercados asiáticos, alimentada por expectativas de negociação dos EUA com Coreia do Sul e Japão.