Economia

Dólar recua após ultrapassar os R$ 5; mercado aguarda 'Superquarta'

Com foco no Copom e no Federal Reserve, moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 4,98; real acumula valorização de mais de 9% em 2026

Da redação
DA REDAÇÃO

28/04/2026 • 17:51 • Atualizado em 28/04/2026 • 17:57

Dólar fecha a terça-feira estável; expectativa pela Superquarta movimenta o mercado

Dólar fecha a terça-feira estável; expectativa pela Superquarta movimenta o mercado

REUTERS/Murad Sezer

O mercado de câmbio viveu um dia de volatilidade nesta terça-feira (28). Após romper a barreira de R$ 5,00 durante a manhã, o dólar perdeu força ao longo da tarde e encerrou a sessão praticamente estável, cotado a R$ 4,9824 (+0,01%). Na mínima do dia, a divisa chegou a tocar os R$ 4,9725.

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Operadores atribuem o movimento a uma combinação de fatores: a retomada do apetite por moedas latino-americanas na segunda metade do pregão e a entrada de recursos por parte de exportadores, que aproveitaram o pico da manhã para internalizar divisas. Além disso, questões técnicas de fim de mês, como a rolagem de posições no mercado futuro, acentuaram a oscilação dos preços.

Real em destaque global

Apesar da cautela externa, o real segue como a moeda de melhor desempenho entre as divisas mais líquidas do mundo em 2026, acumulando ganhos de 9,32% no ano. Somente em abril, a queda do dólar já chega a 3,79%.

Segundo Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, o cenário continua favorável para a moeda brasileira. "A perspectiva ainda é de apreciação do real, apoiada pela melhora dos termos de troca e pelos preços elevados do petróleo. Se o diferencial de juros continuar atrativo, podemos ver o dólar buscando os patamares de R$ 4,90 ou até R$ 4,80", projeta o especialista.

Expectativas para a 'Superquarta'

O grande catalisador para os próximos dias será a decisão dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos nesta quarta-feira:

Brasil (Copom): A aposta majoritária é de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, levando-a para 14,50% ao ano. O mercado estará atento ao comunicado, esperando uma postura cautelosa do Banco Central, especialmente após o IPCA-15 de abril apresentar um quadro qualitativo considerado "ruim" por instituições como Itaú e XP.

EUA (Federal Reserve): Na última reunião sob a presidência de Jerome Powell, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%. O foco recai sobre a transição para Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, e como o BC americano reagirá aos choques inflacionários de energia.

Geopolítica e petróleo

No cenário internacional, o petróleo voltou a subir devido ao impasse nas negociações entre EUA e Irã, que ameaça o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou em alta de 2,66%, a US$ 104,40.

A valorização das commodities beneficia o Brasil como exportador líquido, o que ajuda a explicar a resiliência do real. No entanto, o banco Citi faz um alerta: embora o curto prazo seja positivo, as incertezas geopolíticas e a aproximação do período eleitoral podem trazer nova pressão sobre o câmbio, com projeção de dólar a R$ 5,35 até o fechamento de 2026.