Economia

Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,15 com ajustes e 'casadão' do BC

Após ajustes e intervenção do Banco Central, moeda recua 0,45% a R$ 5,1415; mercado aguarda ata do Copom para avaliar tom da política monetária

Da redação
DA REDAÇÃO

22/06/2026 • 18:23 • Atualizado em 22/06/2026 • 18:44

Dólar volta a subir e chega a R$ 5,15

Dólar volta a subir e chega a R$ 5,15

Reprodução/Agência Brasil

O dólar iniciou a semana em trajetória de queda no mercado local nesta segunda-feira (22). A moeda americana registrou baixa de 0,45%, encerrando o dia cotada a R$ 5,1415. O movimento reflete um ajuste após a valorização superior a 2% observada na semana anterior, impulsionado por uma realização de lucros e pela redução de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

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Um dos pontos centrais da sessão foi a atuação do Banco Central, que realizou uma operação casada (conhecida no mercado como "casadão"): venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista combinada com a compra de US$ 1 bilhão em dólar futuro, via swaps cambiais reversos.

Segundo Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, a medida visou atender a uma demanda pontual no mercado à vista e prosseguir com a redução do estoque de swaps. O especialista ressalta que não foram identificados sinais de disfuncionalidade ou pressões anômalas no cupom cambial (taxa de juros em dólar), que permanece em patamares considerados tranquilos.

Foco na política monetária

O mercado volta suas atenções para a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta terça-feira, 23. Investidores buscam um tom mais rígido por parte do colegiado, na tentativa de mitigar o desconforto gerado após o comunicado da última reunião, que, apesar de apontar riscos inflacionários, reduziu a taxa básica de juros para 14,25% ao ano.

Para Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, a comunicação anterior levantou questionamentos sobre a credibilidade da instituição. "A expectativa é que a ata possa desfazer esse desconforto", aponta Viotto, que não vislumbra o retorno da moeda americana ao patamar de R$ 5,00 no curto prazo, estimando que o câmbio deva oscilar próximo a R$ 5,20.

Panorama do Real

O real, que chegou a acumular valorização de dois dígitos frente ao dólar no início de maio, enfrenta um momento de maior volatilidade em junho, com alta de 1,96% da moeda americana no mês. Analistas observam que, desde o mês passado, a divisa brasileira tem apresentado um desempenho mais fraco quando comparada a pares emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, avalia que, embora o diferencial de juros (o chamado carry trade) continue a favorecer o real, o cenário global de fortalecimento do dólar — corroborado pela postura mais agressiva de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve — limita o potencial de valorização da moeda brasileira.

Projeções para a semana

Com base em modelos econométricos, a expectativa é que o dólar mantenha uma base de negociação entre R$ 5,15 e R$ 5,16, com um espectro de oscilação que pode variar de R$ 5,06 a R$ 5,25. A cautela predomina entre os operadores, dado que a maior volatilidade aumenta os riscos para as estratégias de investimento em ativos brasileiros.

Com informações da Agência Estado

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