
O dólar à vista encerrou em alta de 0,86%, cotado a R$ 5,1309, após ter alcançado a máxima de R$ 5,1481 no início da tarde
Reprodução/Agência Brasil
A combinação entre uma forte queda nas cotações internacionais do petróleo e a crescente cautela dos investidores em relação ao cenário político doméstico levou o real a registrar o pior desempenho entre as moedas mais líquidas do mundo no pregão desta terça-feira.
O dólar à vista encerrou em alta de 0,86%, cotado a R$ 5,1309, após ter alcançado a máxima de R$ 5,1481 no início da tarde. Trata-se do maior valor de fechamento para a divisa americana desde 13 de julho (R$ 5,1323). O movimento da moeda brasileira ocorreu na contramão do exterior, onde o dólar operou em estabilidade ou recuo perante a maioria das moedas emergentes pares.
📌 Indicadores do Pregão
Dólar à Vista (USD/BRL): R$ 5,1309 (+0,86%) | Máxima intraday: R$ 5,1481
Petróleo Brent (Out/26): US$ 79,36 (-5,69%)
Índice DXY (Dólar Global): 99,878 pontos (-0,02%)
Desempenho do Real em Agosto (2 pregões): +1,19% (frente ao USD)
Desempenho do Real no Ano (YTD): +6,52% (2º melhor desempenho global, atrás do Peso Colombiano ~+15%)
🛢️ 1. O Desmonte do 'Trade' do Petróleo
O principal catalisador do estresse no câmbio veio do mercado de commodities. O contrato do petróleo Brent com vencimento para outubro — referência da Petrobras — desabou 5,69%, fechando a US$ 79,36 por barril, rompendo o nível psicológico dos US$ 80.
A forte liquidação foi alimentada por declarações do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que indicou perspectivas favoráveis para a reabertura do Estreito de Ormuz nos próximos dias, aliviando o prêmio de risco da oferta global.
🗳️ 2. Fator Político e Isolamento Partidário
No cenário político interno, os investidores demonstraram apreensão com sinais de perda de tração da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) na véspera da divulgação de novas pesquisas eleitorais, como a Genial/Quaest. Levantamento recente do instituto Nexus/BTG apontou empate técnico no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
A movimentação de alianças também gerou ruído: embora o candidato do PL tenha reiterado o desejo de ter a ex-presidente da Caixa, Daniela Marques, como vice, o partido dela (Republicanos) oficializou neutralidade na disputa. O prazo limite para registro de chapas no TSE é 15 de agosto.
🏛️ 3. Tensionamento Diplomático Brasil-EUA
Somou-se ao clima de cautela a notícia veiculada pelo portal Exame indicando que o governo brasileiro prevê que os EUA adotem novas sanções diplomáticas nos próximos dias. A retaliação seria motivada pela negação de vistos, por parte do Brasil, a diplomatas e funcionários do governo norte-americano.
🌐 4. Cenário Global (DXY) e Tendência do Câmbio
Em âmbito internacional, o índice DXY (que mede a força do dólar contra seis moedas fortes) operou próximo da neutralidade, marcando 99,878 pontos (-0,02%), sustentado pelo equilíbrio entre o fortalecimento do euro e a desvalorização do iene. "O DXY está perdendo força e pode reverter a tendência gráfica de alta, o que beneficiaria o real. Em todo caso, nas últimas semanas, o real está mais correlacionado com a dinâmica das commodities do que propriamente com o DXY.", diz José Raymundo Faria Junior, Diretor da Wagner Investimentos.
Com informações da Agência Estado

