Economia

Geração Z é a que mais perde dinheiro com golpes digitais, aponta estudo

Apesar de serem 'nativos digitais', 33% dos jovens brasileiros relatam prejuízos financeiros com fraudes online; entenda o paradoxo da hiperconexão

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 04/08/2026 • 07:00

Apesar de serem nativos digitais, geração Z cai em golpes digitais com frequência

Apesar de serem nativos digitais, geração Z cai em golpes digitais com frequência

Reprodução/Freepik

A ideia de que quem nasceu cercado por telas, redes sociais e smartphones está naturalmente protegido contra golpes na internet acaba de ser derrubada por números alarmantes. Um estudo recente divulgado pela TransUnion revela que a Geração Z é a faixa etária que mais relata perdas financeiras por fraudes digitais, liderando as estatísticas tanto no Brasil quanto no cenário global.

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De acordo com o levantamento internacional:

No mundo: 39% dos entrevistados da Geração Z afirmaram ter perdido dinheiro por fraudes via e-mail, sites falsos, chamadas ou SMS no último ano (contra a média global de 26% entre 18 países/regiões).

No Brasil: 33% dos jovens da Geração Z sofreram prejuízos financeiros com fraudes, colocando a categoria no topo das vítimas no país (frente à média nacional de 24%).

O paradoxo do "nativo digital": mais conexões, mais riscos

Crescer usando a internet e redes sociais desde a infância gerou um mito comum: o de que os mais jovens saberiam identificar perigos na rede de forma intuitiva. No entanto, o estudo demonstra que a intensa familiaridade técnica funciona como uma lâmina de dois gumes.

Por estarem entre os usuários mais ativos do ambiente virtual, esses jovens realizam compras constantes em e-commerce, utilizam aplicativos de pagamento instantâneo (como Pix), jogam em plataformas digitais e gerenciam a rotina pelo celular. Quanto maior o volume diário de interações online, maior se torna a exposição e a quantidade de oportunidades para investidas criminosas.

Vendedores falsos e "conta laranja": quais golpes mais atingem os jovens?

A pesquisa da TransUnion identificou que as abordagens baseadas na exploração da confiança são as campeãs de vítimas entre a Geração Z:

Golpes com terceiros em e-commerce legítimos (27%): A vítima navega em um marketplace conhecido, mas fecha negócio com vendedores falsos hospedados na plataforma que não entregam os produtos.

O golpe da "conta laranja": Jovens cedem ou alugam suas contas bancárias para que terceiros façam movimentações financeiras ilícitas. Muitas vezes atraídos por promessas de "renda fácil", eles não compreendem que estão cometendo um crime grave com severas implicações legais.

Engenharia social substitui invasões complexas

A a sofisticação atual do estelionato digital não está necessariamente na complexidade do código, mas no poder de persuasão. Os criminosos usam ofertas irrecusáveis, e-mails bem elaborados e abordagens diretas em redes sociais que imitam canais oficiais para convencer a vítima a entregar dados ou autorizar transações.

"Hoje, os golpes mais bem-sucedidos não são necessariamente os mais complexos do ponto de vista tecnológico. Muitas vezes, são os que conseguem parecer verdadeiros. Por isso, a proteção depende cada vez mais de uma combinação entre educação digital, tecnologia e mecanismos capazes de identificar comportamentos de risco", explica Wallace Massola, Head de Soluções de Prevenção a Fraudes da TransUnion Brasil.

🛡️ Como se proteger: 4 recomendações essenciais

Desconfie de ofertas "milagrosas": Preços excessivamente baixos em anúncios de redes sociais ou marketplaces costumam ser iscas para roubo de dinheiro e dados.

Jamais empreste sua conta bancária: Emprestar a conta para terceiros movimentarem recursos ("conta laranja") é crime de lavagem de dinheiro e receptação.

Cheque o histórico de vendedores: Mesmo dentro de sites famosos, verifique a reputação, comentários e tempo de cadastro do vendedor antes de transferir qualquer valor.

Reforce a segurança das contas: Ative a autenticação em duas etapas e a verificação biométrica em e-mails, bancos e redes sociais.

O papel das empresas no combate às fraudes

Para conter o avanço do crime digital sem prejudicar a navegação dos usuários, a TransUnion Brasil orienta a prevenção corporativa em quatro pilares estratégicos:

Autenticações invisíveis: Validação em segundo plano sem criar atrito na navegação do cliente.

Inteligência antifraude: Monitoramento preditivo de comportamentos e padrões de risco.

KYC e Compliance: Verificação reputacional e Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD).

Enriquecimento e validação de dados: Confirmação de dados em múltiplas camadas de segurança.

A conclusão do estudo reforça que vencer a batalha contra o estelionato virtual exige unir tecnologias de defesa por parte das empresas à constante conscientização dos próprios consumidores, por mais integrados à tecnologia que eles sejam.