O Brasil registra cerca de quatro golpes digitais por minuto. Nos últimos anos, os crimes cibernéticos apresentam um crescimento estimado em 20%, impulsionados pela expansão de dispositivos com acesso à internet e pela desatenção das vítimas ao clicar em links suspeitos. O cenário reflete uma mudança estrutural na atuação dos criminosos, que deixam de atuar isoladamente para formar organizações com processos estruturados e capacidade de disparar fraudes em massa.
Em análise sobre a evolução das fraudes financeiras, o especialista em tecnologia e inovação Cristiano Vicente explica que a criminalidade migrou do modelo presencial para abordagens virtuais. Nesse contexto, criminosos coagem as vítimas a realizar transferências instantâneas via Pix ou a liberar o acesso a aplicativos bancários por meio de biometria e senhas.
Para mitigar os riscos de perdas financeiras em episódios de violência urbana ou abordagens diretas, Cristiano Vicente recomenda a adoção de um segundo aparelho celular para uso diário nas ruas. O dispositivo secundário deve manter apenas recursos essenciais, enquanto o aparelho principal, contendo os aplicativos bancários e de investimentos, permanece armazenado em local seguro.
No âmbito legislativo e regulatório, medidas recentes tentam endurecer as penas para fraudes digitais e punir os chamados "laranjas" — pessoas que emprestam contas bancárias para a movimentação de valores ilícitos.
A atuação do poder público, contudo, ocorre majoritariamente após a consumação do delito, o que reforça a necessidade de estratégias preventivas e de integração de inteligência entre bancos, Judiciário e forças de segurança para desmantelar a estrutura financeira dessas quadrilhas.
Além disso, especialistas defendem o investimento contínuo em educação digital para orientar o uso seguro da tecnologia.
Inteligência artificial de código aberto e novos desafios de segurança
A sofisticação dos ataques cibernéticos ganha novos contornos com o avanço de softwares de inteligência artificial em código aberto (open source). Esse modelo disponibiliza programas publicamente para que qualquer usuário possa copiar, alterar ou aprimorar o código.
Em termos de disputa geopolítica e tecnológica, países como a China impulsionam suas próprias plataformas abertas para rivalizar com o domínio das empresas do Vale do Silício.
Por outro lado, a acessibilidade de ferramentas de código aberto permite que cibercriminosos modifiquem algoritmos para criar deepfakes e novos formatos de golpes automatizados. A precisão dessas ferramentas dificulta a identificação visual de fotos e vídeos manipulados.
Diante desse cenário, a indústria da tecnologia trabalha no desenvolvimento de mecanismos de autenticação, como marcas d'água e carimbos digitais, para validar a origem do conteúdo e combater a desinformação no ambiente virtual.

