Economia

Focus dobra corte esperado para a Selic e favorece ouro acima de US$ 4 mil

Mercado passa a projetar redução de 0,50 ponto na taxa básica de juros até o fim do ano; alívio no petróleo e dados dos EUA também impulsionam recuperação da commodity após cinco meses

Da redação
DA REDAÇÃO

03/08/2026 • 16:29 • Atualizado em 03/08/2026 • 16:34

Fatores econômicos e geopolíticos devem favorecer alta do ouro

Fatores econômicos e geopolíticos devem favorecer alta do ouro

Freepik

O mercado financeiro começou a desenhar um cenário mais favorável para as commodities de proteção. Cotado na casa dos US$ 4.050 por onça-troy — e com potencial para consolidar-se acima dos US$ 4.100 —, o ouro fechou o mês de julho com seu primeiro avanço mensal após cinco meses seguidos de retração, sustentado por revisões na trajetória dos juros no Brasil e pela queda no preço do petróleo no exterior.

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No cenário doméstico, o principal catalisador veio do mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. As projeções para a taxa Selic em dezembro caíram de 14% para 13,75% ao ano. Com a taxa atual fixada em 14,25%, o mercado financeiro dobrou a expectativa de corte até o fim do ano, passando de 0,25 para 0,50 ponto percentual, com reduções previstas para as reuniões de agosto e novembro.

A perspectiva de um afrouxamento monetário mais forte no Brasil favorece diretamente a atratividade do metal precioso. "Juros domésticos menores reduzem o custo de oportunidade de manter ouro", destaca Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas. Quando os rendimentos dos títulos públicos recuam, ativos sem fluxo de rendimento fixo, como o ouro, ganham competitividade como reserva de valor.

Alívio no petróleo e cenário externo

No plano internacional, o comportamento do ouro reflete uma mudança na dinâmica de formação de preços. Apesar de acumular uma queda de 9,85% no período de três meses, o metal ainda contabiliza uma forte valorização de 21,71% em 12 meses.

A recente recuperação ocorreu mesmo diante de notícias sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu parte da tensão geopolítica na Ásia Ocidental. Segundo Cavalcante, a menor pressão sobre a energia passou a pesar mais nas cotações do que a busca por proteção contra conflitos.

"Neste momento, a queda do petróleo pesa mais do que a redução da procura associada ao conflito, porque energia mais barata diminui o risco de inflação e de juros americanos elevados por mais tempo", explica o especialista. Ele ressalta, contudo, que o movimento ainda requer cautela, uma vez que o governo iraniano nega a existência de negociações formais e qualquer nova escalada militar pode voltar a pressionar o petróleo e as taxas globais.

Tarifas e radar nos Estados Unidos

Outro fator no radar dos investidores é a política tarifária global. Embora a aplicação de novas tarifas comerciais traga o risco de reativação da inflação — o que limitaria a queda dos juros —, declarações do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York trouxeram alívio ao indicar que a maior parte desse impacto pode já ter atingido o pico, desde que as tarifas não sejam ampliadas.

Para as próximas semanas, a atenção do mercado estará voltada para os indicadores de atividade da maior economia do mundo.

"Petróleo e emprego nos Estados Unidos devem ter mais influência sobre o ouro do que os anúncios tarifários já conhecidos. Com energia em queda e mercado de trabalho mais fraco, o metal pode consolidar-se acima de US$ 4.100. Uma ruptura nas negociações com o Irã ou a ampliação do tarifaço pode levá-lo novamente para perto dos US$ 4 mil", conclui o especialista da Ourominas.

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