
Ouro pode subir mais com a entrada em vigor do tarifaço
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Se as alianças de ouro entraram para a mira do crime brasileiro porque o ouro está mais caro no mercado de metais, o crime tende a aumentar no país nos próximos meses. Isso porque o metal deve ficar ainda mais caro a partir do dia 22 de julho, data em que o novo tarifaço norte-americano entra em vigor sobre os produtos brasileiros.
Embora a cotação internacional apresente recuos recentes, o cenário econômico global, marcado pelo recente "tarifaço" de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, gera um alerta importante para o investidor nacional: o metal precioso pode ficar mais caro no Brasil, independentemente do comportamento das bolsas estrangeiras, devido ao câmbio.
Atualmente, o ouro está cotado a US$ 4.038 por onça-troy. Apesar de acumular quedas de 6,76% no último mês e 16,87% nos últimos três meses, o ativo ainda mantém uma valorização robusta superior a 20% em um intervalo de 12 meses. Segundo especialistas, este comportamento reflete uma natural realização de ganhos após a alta de 64% observada no ano passado.
O impacto do câmbio no bolso do investidor
O ponto de atenção para quem investe no Brasil é a volatilidade cambial. A implementação da tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre parte da pauta exportadora brasileira cria um ambiente de incerteza que tende a pressionar o dólar.
"Para o investidor brasileiro, uma eventual valorização do dólar pode elevar o preço do ouro em reais, mesmo em momentos de acomodação da cotação internacional", explica Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas. Embora a lista de exceções anunciada ajude a mitigar o impacto direto da medida, ela não é suficiente para eliminar os efeitos negativos sobre as expectativas do mercado e a cotação da moeda.
Juros e petróleo: os desafios do cenário externo
Além do impacto tarifário, o ouro enfrenta a pressão dos fundamentos macroeconômicos globais. A alta recente do preço do petróleo reacendeu temores de uma inflação mais persistente, o que limita o espaço para que o Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) adote uma postura mais flexível nos juros.
O cenário atual é desafiador para o ouro por dois motivos principais:
Custo de oportunidade: Com os juros americanos elevados, os títulos de renda fixa dos Estados Unidos tornam-se mais atraentes, drenando o interesse pelo metal, que não oferece pagamento de juros ou dividendos.
Volatilidade: A combinação de petróleo caro, tarifas comerciais e uma política monetária rígida nos Estados Unidos deve manter o preço do ativo em patamares voláteis.
Para uma retomada consistente do valor do ouro, o mercado monitora de perto indicadores que sinalizem uma inflação controlada, a possibilidade de redução dos juros reais americanos e, consequentemente, um enfraquecimento do dólar globalmente. Até lá, a cautela e o acompanhamento da paridade entre o dólar e o real seguem como prioridades para quem mantém posição no ativo.

