Economia

Governo envia ao Congresso projeto que amplia isenção do IR a quem ganha até R$ 5 mil

Matéria segue para análise do Congresso Nacional; parlamentares devem pedir maior espaço na Esplanada ou troca de cargos que os partidos ocupam para se fazer aprovar o projeto

ESTADÃO CONTEÚDO

18/03/2025 • 13:01 • Atualizado em 18/03/2025 • 13:09

Reunião para anúncio do envio do projeto de lei de ampliação da isenção do imposto de renda ao Congresso Nacional

Reunião para anúncio do envio do projeto de lei de ampliação da isenção do imposto de renda ao Congresso Nacional

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou nesta terça-feira (18) o envio do projeto de lei (PL) que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. A matéria segue para análise do Congresso Nacional. O envio foi feito em evento no período da manhã no Palácio do Planalto.

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A cerimônia contou com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

A avaliação de integrantes do governo é de que o PL deve ser aprovado, mas que parlamentares usarão o tema como uma espécie de "moeda de troca" para fazer pleitos, a exemplo da reforma ministerial que Lula deve intensificar nas próximas semanas. Para fontes consultadas pelo Estadão, deputados e senadores devem pedir maior espaço na Esplanada ou troca de cargos que os partidos ocupam para se fazer aprovar o projeto.

No Congresso, a previsão entre deputados é de que o caminho vai ser longo. O problema não é proporcionar a isenção em si, afinal, até os parlamentares da oposição dizem ser favoráveis à redução de impostos. A questão está na compensação. O próprio presidente da Câmara já deixou claro em entrevistas que não há clima para a elevação de tributações sobre quem quer que seja.

A bancada do PL, de maior número de deputados, já avisou que, se a compensação vier em forma de taxação dos mais ricos, serão contrários.

O Broadcast mostrou mais cedo que, apesar de ampliar a faixa de isenção, o projeto não irá promover uma revisão geral da tabela do IR. Pelo projeto formalizado no evento, os trabalhadores que ganham menos de R$ 5 mil estarão isentos do IR. Atualmente, só deixam de pagar o imposto as pessoas que ganham menos de R$ 2.824, pouco menos de dois salários mínimos.

Isso significa que, com o projeto apresentado, apenas os trabalhadores que ganham menos de R$ 5 mil vão ter direito à isenção - e não que todos os rendimentos abaixo de R$ 5 mil estarão isentos para todos os trabalhadores. Ou seja: se uma pessoa recebe R$ 8 mil, ela não terá isenção sobre os R$ 5 mil. Na prática, a mudança representa um impacto fiscal menor do que a revisão geral da tabela do IR teria.

Também haverá um bloco de "transição" para trabalhadores que ganham até R$ 7 mil. O modelo deve ser debatido pelos parlamentares, que serão informados que o objetivo do Executivo é o de não criar distorções entre os que têm rendimentos próximos a quem estará na faixa beneficiada.

No projeto, será descrito como deve ser feita a compensação dessa redução de arrecadação pela Receita. Uma parte virá da tributação maior para quem recebe até R$ 600 mil ao ano e outra de cobrança de imposto fixo de 10% para quem tem rendimentos a partir de R$ 1 milhão por ano, com taxação de dividendos.

Na segunda-feira, Haddad adiantou que a estimativa de renúncia com o projeto ficará em torno de R$ 27 bilhões. O número é fruto de um recálculo, que considera o aumento do salário mínimo.

Ele também já havia mencionado que, a pedido de Lula, a equipe econômica havia retirado da proposta o fim da isenção do IR para quem tem doença grave em faixas de renda mais altas, hoje garantida a aposentados por moléstia grave ou acidente. Ele também já tinha falado que o projeto consideraria o CNPJ, sem detalhar a medida.