
Pão de Açúcar
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Resumo
Anúncio do plano de recuperação extrajudicial pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) busca renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas, com apoio inicial de credores representando 46% do valor, suspendendo pagamentos por 90 dias e mantendo fornecedores, clientes e trabalhadores fora do acordo para preservar operações.
Pressão financeira nos últimos anos é marcada por prejuízos anuais desde 2022, dívida bruta de cerca de R$ 4 bilhões, capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão e aumento das despesas financeiras devido a juros altos, levando a incertezas sobre a continuidade operacional.
Mudanças societárias e de gestão incluem a entrada do Grupo Coelho Diniz como principal acionista, participação reduzida do Casino Group e nomeação de Alexandre de Jesus Santoro como novo presidente, enquanto a companhia mantém 728 lojas no Brasil e foca na preservação das operações durante a reestruturação financeira.
A varejista Grupo Pão de Açúcar (GPA), responsável por redes como Pão de Açúcar, Extra e Minuto Pão de Açúcar, anunciou nesta terça-feira (10) um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida foi acordada com parte dos credores e busca reorganizar as finanças da companhia sem recorrer à recuperação judicial.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, o plano já conta com o apoio de credores que representam 46% do valor total incluído na renegociação, o equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões. O percentual supera o mínimo exigido pela legislação para dar início ao processo.
A proposta prevê a suspensão temporária dos pagamentos dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições com os credores. O plano entra em vigor imediatamente e estabelece um prazo inicial de 90 dias para que o GPA amplie o apoio ao acordo e alcance uma solução definitiva para a reestruturação do endividamento.
A companhia informou que fornecedores, clientes, parceiros comerciais e trabalhadores não fazem parte do plano, o que significa que essas obrigações continuam sendo pagas normalmente. Com isso, a empresa afirma que as operações das lojas seguem sem alteração.
De acordo com o GPA, o objetivo da renegociação é melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço, criando condições para enfrentar problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo.
Entenda o que é recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a uma empresa renegociar dívidas diretamente com parte de seus credores, sem a necessidade de um processo judicial mais amplo.
Diferentemente da recuperação judicial, o modelo extrajudicial costuma ser mais rápido e restrito, afetando apenas os credores incluídos no acordo e preservando as relações comerciais da empresa com fornecedores e parceiros. Para empresas do setor de varejo, essa característica ajuda a evitar impactos na cadeia de abastecimento e na operação diária.
Especialistas apontam que a escolha por esse modelo indica que a companhia já conseguiu avançar em negociações com parte relevante dos credores antes mesmo de formalizar o plano.
Pressão financeira e prejuízos
O GPA enfrenta dificuldades financeiras nos últimos anos. A empresa registra prejuízos anuais desde 2022 e vem lidando com aumento do custo das dívidas, queda no consumo em períodos de inflação elevada e mudanças na gestão.
Em 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões nas operações continuadas. No mesmo período, a dívida líquida somava aproximadamente R$ 2 bilhões, enquanto a dívida bruta alcançava cerca de R$ 4 bilhões.
A situação financeira também foi pressionada pelo ambiente macroeconômico. Com taxas de juros elevadas no país, as despesas financeiras da empresa aumentaram significativamente nos últimos anos, consumindo parte relevante da geração de caixa.
No balanço divulgado no fim de fevereiro, o GPA afirmou que havia incerteza relevante sobre sua capacidade de continuidade operacional, devido ao alto volume de dívidas com vencimento nos próximos anos e a um capital circulante negativo de cerca de R$ 1,2 bilhão.
Mudanças na estrutura e no comando
Nos últimos anos, a companhia também passou por mudanças societárias e de gestão. O Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista, com cerca de 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino Group, antigo controlador, mantém aproximadamente 22,5% de participação.
Em 2026, o executivo Alexandre de Jesus Santoro assumiu a presidência da empresa após a saída do então CEO Marcelo Pimentel.
Rede e presença no país
Fundado em 1948, o GPA é um dos maiores grupos de varejo alimentar do Brasil. Atualmente, a companhia possui 728 lojas no país, incluindo 187 unidades da rede Pão de Açúcar, 164 do Extra Mercado, 155 do Mini Extra e 221 do Minuto Pão de Açúcar.
Segundo a empresa, o plano de recuperação extrajudicial foi estruturado justamente para preservar a operação das redes enquanto as negociações financeiras avançam.
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*Com informações da Reuters.
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