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REUTERS/Lee Jae-Won
O bumerangue, arma tradicional dos povos indígenas australianos, traz consigo o risco incontrolável de retornar a quem o lança. Recentemente, os Estados Unidos vêm brandindo seu porrete tarifário: impondo 100% de tarifas sobre carros chineses, 25% sobre produtos do Canadá e México, 25% sobre aço e alumínio do Brasil, ameaçando tarifas de 200% sobre bebidas da UE e anunciando tarifas "equivalentes" e setoriais a partir de 2 de abril. Essas ações lembram bumerangues voando descontroladamente. Violando regras internacionais de comércio, tais medidas não só abalam a ordem econômica global, mas também acabarão por ferir os próprios EUA.
A guerra tarifária viola as regras do comércio internacional. Think tanks como o Atlantic Council apontam que as "tarifas equivalentes" impostas pelos EUA violam o compromisso de não discriminação entre membros da OMC, retrocedendo às negociações bilaterais do período pré-Segunda Guerra. Isso subverte os mecanismos estabelecidos pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e representa o maior choque ao sistema comercial global desde o colapso de Bretton Woods, injetando um "veneno" no comércio mundial. Em 2022, as tarifas sobre aço e alumínio impostas pelos EUA em 2018 com base em leis domésticas já foram consideradas ilegais pela OMC. A recente intensificação do anúncio de impostos generalizados sobre aço e alumínio representa um desrespeito flagrante e uma violação das regras do comércio multilateral e da ordem jurídica internacional.
Guerras tarifárias prejudicam a economia global. Sob a ameaça da política tarifária dos EUA, o Banco Central do México revisou a expectativa de crescimento econômico para 2025 de 1,2% para 0,6%. As tarifas "equivalentes" tornam inúteis os benefícios unilaterais oferecidos a países africanos, aumentando sua vulnerabilidade. O Banco Mundial alerta que, se as novas tarifas dos EUA e as retaliações de parceiros comerciais forem implementadas, o crescimento global em 2025 poderá cair 0,3 ponto percentual. A política tarifária americana trará redução de investimentos, caos nas cadeias de suprimentos e riscos de desaceleração para a economia mundial.
Guerras tarifárias acabam por atingir os próprios EUA. A guerra comercial anterior contra a China custou mais de 200 mil empregos norte-americanos. Nos últimos cinco anos, 92% dos custos das tarifas sobre a China foram absorvidos por importadores dos EUA e repassados aos consumidores, elevando as despesas familiares em US1.200 anuais. Tarifas são, na prática, um "imposto sobre o consumo" para o povo americano. Dados do Bureau de Análise Econômica dos EUA mostram queo déficit comercial em 2024 atingiu US 918,4 bilhões, 50% maior que antes da guerra tarifária. Como destacou o colunista Thomas Friedman no The New York Times, a política tarifária prejudica setores estratégicos, como veículos elétricos, e "aponta a arma para os próprios cidadãos". Especialistas concordam: tarifas não resolvem problemas internos, apenas elevam custos industriais e danificam interesses nacionais.
Abertura chinesa beneficia o mundo. A China não deseja guerras tarifárias, mas não teme "guerras comerciais" e outras quaisquer. Como nação responsável, a China defenderá firmemente seus direitos e interesses legítimos de desenvolvimento e promoverá uma globalização econômica inclusiva e benéfico universalmente para todos. Diante do unilateralismo que gera incertezas globais, a China apoia o sistema multilateral de comércio, cumpre compromissos da OMC, avança em alta qualidade e abertura ampla, mantendo-se como "âncora de estabilidade" e "motor" da economia mundial. Principal parceiro comercial do Brasil e de mais 150 países, a China assinou 23 acordos de livre-comércio com 30 economias e concede tarifa zero a 100% dos produtos dos 43 países menos desenvolvidos. Com meta de crescimento de 5% para 2025, a China seguirá compartilhando oportunidades de desenvolvimento.
Na era da globalização, erguer muros não é solução. A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outras nações, defendendo uma globalização inclusiva, o espírito de "compartilhar um mesmo planeta" e "harmonia na coexistência", preservando a OMC como núcleo do sistema multilateral e impulsionando a economia global rumo a maior abertura, equilíbrio e benefícios compartilhados.
