
Consumidor tem recorrido ao Google para entender se preço dos produtos está ou não acima da média
Joédson Alves/Agência Brasil
A alta da inflação tem levado os brasileiros a buscarem cada vez mais alternativas de preços de produtos. Dados do Google Trends coletados pela Sala Digital, parceria da Band com o Google, mostram que o interesse por expressões como “está caro” ou “está barato” subiram 20% em relação a 2024 e alcançaram nível histórico neste ano.
O levantamento aponta que, desde 2004, a procura por esses termos crescem alinhados a momentos de aumento de preços. O índice, que há 21 anos era de nove pontos saltou para 100 em 2025.
O aumento das buscas coincide com a aceleração da inflação no País. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (12), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,31%, o maior patamar para o mês de fevereiro em 22 anos. O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,70%, o sexto aumento consecutivo. O grupo contribuiu com 0,15 ponto porcentual para a taxa do IPCA do último mês.

Os dados do Google mostram que no início do último mês, pela primeira vez em cinco anos, a busca por “café caro” superou a de “carro mais barato”, indicando o impacto do preço dos alimentos no bolso do consumidor. O internauta também busca entender as razões pelas quais o preço do ovo, café e azeite esteja nas alturas.
O café moído e o ovo de galinha são, ao lado da energia elétrica, os responsáveis pela alta da inflação em fevereiro. Os dois primeiros subiram, respectivamente, 10,77% e 15,39%, enquanto o último somou uma alta de 16,80%.
O aumento do preço do ovo é resultado por um princípio básico do mercado: o desequilíbrio entre oferta e demanda. A tendência é que os preços devam continuar em alta pelo menos até abril, quando termina a Quaresma. A queda produção de ovos no Brasil tem a ver com as altas temperaturas, o estresse térmico e a alta no custo de produção da ração, como o milho, que compõe 80% da alimentação animal.
No começo do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou do preço do produto e afirmou que caso não consiga encontrar uma “solução pacífica” para o problema poderá "tomar medidas drásticas".
Já o café é afetado pela queda da safra cafeicultora. Segundo relatório do Itaú BBA, a colheita deste ano deve permanecer abaixo da média pelo quinto ano consecutivo. Desarranjos climáticos, como o aumento do calor e a falta de chuvas, que afetam diretamente a fase final de desenvolvimento do grão, podem comprometer totalmente a produção.
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