Economia

Inflação faz consumidor recorrer ao Google para saber se preços estão mais caros ou baratos

Dados coletados pela Sala Digital da Band revelam que buscas sobre preço do café superou a de carros pela primeira vez em cinco anos

WESLEY BIÃO

12/03/2025 • 11:49 • Atualizado em 12/03/2025 • 11:49

Consumidor tem recorrido ao Google para entender se preço dos produtos está ou não acima da média

Consumidor tem recorrido ao Google para entender se preço dos produtos está ou não acima da média

Joédson Alves/Agência Brasil

A alta da inflação tem levado os brasileiros a buscarem cada vez mais alternativas de preços de produtos. Dados do Google Trends coletados pela Sala Digital, parceria da Band com o Google, mostram que o interesse por expressões como “está caro” ou “está barato” subiram 20% em relação a 2024 e alcançaram nível histórico neste ano.

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O levantamento aponta que, desde 2004, a procura por esses termos crescem alinhados a momentos de aumento de preços. O índice, que há 21 anos era de nove pontos saltou para 100 em 2025.

O aumento das buscas coincide com a aceleração da inflação no País. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (12), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,31%, o maior patamar para o mês de fevereiro em 22 anos. O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,70%, o sexto aumento consecutivo. O grupo contribuiu com 0,15 ponto porcentual para a taxa do IPCA do último mês.

Os dados do Google mostram que no início do último mês, pela primeira vez em cinco anos, a busca por “café caro” superou a de “carro mais barato”, indicando o impacto do preço dos alimentos no bolso do consumidor. O internauta também busca entender as razões pelas quais o preço do ovo, café e azeite esteja nas alturas.

O café moído e o ovo de galinha são, ao lado da energia elétrica, os responsáveis pela alta da inflação em fevereiro. Os dois primeiros subiram, respectivamente, 10,77% e 15,39%, enquanto o último somou uma alta de 16,80%.

O aumento do preço do ovo é resultado por um princípio básico do mercado: o desequilíbrio entre oferta e demanda. A tendência é que os preços devam continuar em alta pelo menos até abril, quando termina a Quaresma. A queda produção de ovos no Brasil tem a ver com as altas temperaturas, o estresse térmico e a alta no custo de produção da ração, como o milho, que compõe 80% da alimentação animal.

No começo do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou do preço do produto e afirmou que caso não consiga encontrar uma “solução pacífica” para o problema poderá "tomar medidas drásticas".

Já o café é afetado pela queda da safra cafeicultora. Segundo relatório do Itaú BBA, a colheita deste ano deve permanecer abaixo da média pelo quinto ano consecutivo. Desarranjos climáticos, como o aumento do calor e a falta de chuvas, que afetam diretamente a fase final de desenvolvimento do grão, podem comprometer totalmente a produção.

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