
Isabela Mayer/Prefeitura Municipal de Curitiba
Resumo
O IPCA-15, prévia oficial da inflação, registrou alta de 0,41% em junho, acumulando 3,45% no semestre e 4,80% em 12 meses, com os grupos Alimentação e bebidas e Habitação respondendo por cerca de 66% da inflação do mês.
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,74%, com destaque para batata-inglesa (29,42%), tomate (17,27%) e feijão-carioca (14,29%), enquanto energia elétrica residencial (2,04%) e planos de saúde (0,35%) também impulsionaram o índice, apesar da queda média de 1,22% nos combustíveis.
Brasília liderou a alta regional com 0,93%, puxada por passagens aéreas e gasolina, enquanto Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador tiveram as menores variações (0,28%), e o IPCA-15 reflete a variação de preços para famílias de um a 40 salários mínimos nas principais regiões metropolitanas do país.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação do país, registrou alta de 0,41% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (25). O resultado representa uma desaceleração em relação a maio, quando o indicador havia avançado 0,62%.
Apesar da perda de ritmo, a inflação continua acumulando alta significativa ao longo do ano. No primeiro semestre de 2026, o IPCA-15 soma avanço de 3,45%. Já no acumulado de 12 meses, a taxa chegou a 4,80%, acima dos 4,64% registrados até maio.
Os grupos de Alimentação e bebidas e Habitação foram os principais responsáveis pelo resultado do mês, respondendo juntos por cerca de 66% da inflação registrada em junho.
Alimentos continuam entre os maiores vilões
O grupo Alimentação e bebidas apresentou alta de 0,74% em junho, mantendo-se como o principal responsável pelo avanço dos preços. Embora tenha desacelerado frente aos 1,38% registrados em maio, o setor ainda exerceu o maior impacto individual sobre o índice.
Dentro da alimentação consumida em casa, alguns produtos registraram fortes aumentos:
- Batata-inglesa: 29,42%;
- Tomate: 17,27%;
- Feijão-carioca: 14,29%;
- Cebola: 9,54%.
No acumulado do primeiro semestre, os preços do tomate, da cenoura e da batata-inglesa mais do que dobraram, com altas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente.
Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter uma inflação ainda maior. O café moído caiu 3,69% em junho, enquanto as frutas tiveram recuo médio de 0,96%.
A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de 0,51% em maio para 0,40% em junho. As refeições em restaurantes subiram 0,39%, enquanto os lanches avançaram 0,45%.
Conta de luz pesa no orçamento
O grupo Habitação teve alta de 0,72% em junho, abaixo do resultado de maio (1,03%), mas ainda figurando entre os maiores responsáveis pela inflação.
O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que aumentou 2,04% e respondeu sozinha por 0,08 ponto percentual do IPCA-15.
Segundo o IBGE, a alta reflete a manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na conta de energia, além de reajustes aplicados por distribuidoras em cidades como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador.
Também houve aumento nas tarifas de água e esgoto, influenciado por reajustes em Curitiba e Brasília.
Saúde sobe com reajuste dos planos
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou avanço de 0,47% em junho.
Os artigos de higiene pessoal tiveram alta de 1,03%, com destaque para os perfumes, que ficaram 2,22% mais caros.
Já os planos de saúde subiram 0,35%, refletindo a incorporação do reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para contratos regulamentados pela Lei nº 9.656/98.
Queda dos combustíveis ajuda a frear inflação
O grupo Transportes foi o único a apresentar resultado praticamente estável, com leve queda de 0,03%.
O principal fator para esse comportamento foi a redução dos preços dos combustíveis, que recuaram 1,22% em média.
Entre os destaques:
- Etanol: -5,30%;
- Gasolina: -0,73%;
- Óleo diesel: -1,47%.
A exceção foi o gás veicular, que registrou aumento de 3,78%.
Apesar da queda dos combustíveis, alguns itens ligados ao transporte pressionaram o índice, como as passagens aéreas, que ficaram 7,24% mais caras no mês.
Brasília lidera alta regional
Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, Brasília registrou a maior inflação do país em junho, com avanço de 0,93%, impulsionado principalmente pelos aumentos das passagens aéreas e da gasolina.
Já os menores resultados foram observados no Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador, todas com alta de 0,28%.
No Rio de Janeiro, contribuíram para a desaceleração as quedas nos preços da hospedagem e do seguro voluntário de veículos. Em Curitiba e Salvador, os recuos da gasolina ajudaram a conter a inflação local.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do Brasil. O indicador utiliza a mesma metodologia do IPCA, mas possui período de coleta diferente.
Para o resultado divulgado em junho, os preços foram pesquisados entre 16 de maio e 16 de junho de 2026 e comparados aos valores observados entre 16 de abril e 15 de maio.
O índice mede a variação de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e abrange as principais regiões metropolitanas do país, além de Brasília e Goiânia.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

