Resumo
A divulgação do IPCA-15 de março mostrou alta de 0,44%, acima das expectativas do mercado, com pressão concentrada no grupo de alimentos e impacto relevante de passagens aéreas, segundo avaliação de analistas como Pablo Spyer, Natalie Victal e Gabriel Pestana.
A análise dos economistas destaca disseminação da inflação em todos os nove grupos pesquisados, elevação dos custos de itens essenciais como carnes, leite e tubérculos, além de riscos de alta vindos de combustíveis e cenário externo, o que reforça um ambiente inflacionário desafiador.
O cenário de política monetária sinaliza manutenção de cautela, já que a desaceleração da inflação acontece de forma irregular e lenta, com expectativas de juros elevados persistindo e incertezas sobre o ritmo de alívio dos preços ao longo de 2024.
A prévia da inflação de março veio acima do esperado pelo mercado e reforçou a pressão sobre os preços, especialmente no grupo de alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo IBGE, avançou 0,44% no mês, desacelerando em relação aos 0,84% de fevereiro, mas superando as projeções de analistas.
Para o conselheiro da ANCORD, Pablo Spyer, o resultado indica uma inflação mais pressionada do que o antecipado. Ele afirma que, mesmo com a desaceleração mensal, o índice surpreendeu o mercado. “Avaliamos que o IPCA-15 registrou variação de 0,44% em março, sinalizando uma inflação mais pressionada do que o antecipado”, disse.
Spyer avalia ainda que o processo de desinflação segue em curso, mas de forma irregular e sujeito a choques. Segundo ele, o principal destaque foi o grupo de alimentação e bebidas, que segue pressionando o custo de vida. “Esse movimento reforça a percepção de inflação mais sensível para as famílias”, afirmou, ao comentar a alta de itens básicos como feijão, ovos, leite e carnes.
O economista também destacou que a inflação está disseminada entre os diferentes grupos. Ele observa que todos os nove segmentos pesquisados registraram alta em março, o que indica uma pressão mais ampla. “Todos os nove grupos registraram variação positiva”, pontuou. Além disso, mencionou o impacto de serviços e energia, além de riscos externos. Para ele, tensões no cenário internacional podem pressionar combustíveis e energia nos próximos meses.
A leitura de surpresa altista também é compartilhada por Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. Ela afirma que o resultado foi puxado principalmente por passagens aéreas e alimentos. “Surpresa altista explicada por passagens aéreas e alimentos”, disse.
Apesar disso, Victal pondera que a composição do índice traz sinais um pouco mais favoráveis. Segundo a economista, os serviços subjacentes vieram mais baixos e os bens industriais tiveram desempenho ligeiramente melhor, o que melhora a leitura qualitativa da inflação. “O qualitativo é um pouco melhor do que o índice cheio sugere”, afirmou.
Ela também ressalta que o indicador ainda não captou integralmente os efeitos do cenário externo. De acordo com Victal, pressões vindas de combustíveis devem aparecer com mais força nos próximos meses, o que pode manter o ambiente inflacionário desafiador.
Na mesma linha, Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, destaca que o resultado ficou acima das projeções e do consenso. Ele avalia que, além das passagens aéreas, houve piora na composição do índice, com destaque para alimentos. “O IPCA-15 de março avançou 0,44%, acima da nossa projeção (0,29%)”, afirmou.
Segundo Pestana, a alimentação no domicílio teve alta mais intensa do que o esperado, pressionada por itens como carne bovina, leite e tubérculos. Ele observa que a composição foi desfavorável e reforça riscos de alta para a inflação ao longo do ano. “A composição foi desfavorável e reforça riscos altistas”, disse.
O economista também aponta que os serviços seguem pressionados, próximos de 6% em 12 meses, embora alguns componentes tenham mostrado comportamento mais benigno. Ainda assim, ele avalia que o resultado do IPCA-15 aumenta o viés de alta para o índice cheio de março.
No campo da política monetária, as avaliações convergem para um cenário de cautela. Spyer afirma que o dado não altera a tendência de desaceleração da inflação, mas indica um processo mais lento e volátil. Já Victal aponta que o cenário ainda é desafiador para os juros, com expectativa de manutenção de níveis elevados por mais tempo.
Em comum, as análises indicam que, apesar da desaceleração no índice geral, a inflação segue pressionada por alimentos, serviços e possíveis choques externos, mantendo incertezas sobre o ritmo de alívio dos preços ao longo de 2026.
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