Economia

Lula cita Pix no G7 e diz que sistema é "referência em eficiência digital"

Presidente usa exemplo de inclusão financeira em discurso sobre inteligência artificial e regulação do ambiente digital

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 13:26 • Atualizado em 17/06/2026 • 13:26

Lula durante encontro do G7

Lula durante encontro do G7

Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou o Pix como referência em inclusão financeira e eficiência digital durante almoço do G7 sobre inteligência artificial, na França, em discurso divulgado horas depois pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.

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Sem mencionar o nome da ferramenta, Lula descreveu o sistema criado pelo Banco Central como uma de suas principais políticas voltadas ao cidadão. Ele classificou o mecanismo como público, gratuito e baseado em dados integrados.

A fala ocorre em momento em que o governo dos Estados Unidos usou o Pix para justificar tarifas aplicadas contra produtos brasileiros, ao apontar o sistema como exemplo de avanço tecnológico do país.

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix permite transferências instantâneas, a qualquer hora, e se consolidou como principal meio de pagamento eletrônico no Brasil, utilizado por pessoas físicas, empresas e pelo próprio poder público.

Pix vira vitrine de inovação em discurso sobre IA

Ao se dirigir aos líderes do G7, Lula afirmou que o Pix é “uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro, um sistema de pagamento público e gratuito que serve como referência de como dados integrados podem promover inclusão financeira e eficiência digital”.

Na visão do presidente, a experiência brasileira com pagamentos instantâneos ilustra como a digitalização pode ampliar o acesso ao sistema financeiro e modernizar serviços estatais, desde que acompanhada por políticas públicas.

Lula cobra regulação e critica concentração de poder

No mesmo discurso, o presidente elogiou os avanços viabilizados pela inteligência artificial, mas defendeu maior responsabilidade das empresas do setor. Segundo ele, “o engajamento das grandes empresas de tecnologia é indispensável para que o futuro digital seja construído e vivido de forma segura, ética e alinhada ao interesse público”.

Lula afirmou ainda que “regular o ambiente digital é central para proteger direitos fundamentais” e chamou atenção para a concentração econômica no setor. Ele observou que as grandes plataformas “possuem valor equivalente ao de grandes economias', enquanto '2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem desconectadas da internet”.

O presidente alertou que, “sem ação deliberada, a inteligência artificial pode ampliar - e não reduzir - desigualdades”. Ele citou que, entre 2016 e 2021, um único país respondeu por quase 90% das exportações globais de serviços de computação em nuvem, referência indireta aos Estados Unidos.

De acordo com Lula, muitos países do Sul Global seguem inseridos na economia digital principalmente como fontes de dados, mercados consumidores e fornecedores de insumos estratégicos, o que, na avaliação dele, reforça assimetrias.

Defesa da ONU na governança da tecnologia

Ao tratar da governança global do ambiente digital, Lula defendeu o papel central da Organização das Nações Unidas. Para o presidente, 'nenhum foro substitui a universalidade das Nações Unidas'.

Ele argumentou que o debate sobre inteligência artificial, regulação das big techs e redução de desigualdades deve ocorrer em instâncias multilaterais que incluam países em desenvolvimento, e não apenas em grupos restritos, como o próprio G7.

Com informações do Estadão Conteúdo