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Lula diz no G7 que "nunca foi esquerdista" e sugere urna brasileira à ONU

Presidente também exalta urna eletrônica e sugere que ONU adote modelo brasileiro de votação

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 12:33 • Atualizado em 17/06/2026 • 12:36

Lula e Janja ao lado do primeiro-ministro britânico Keir Starmer

Lula e Janja ao lado do primeiro-ministro britânico Keir Starmer

Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em conversa informal nesta quarta-feira (17), durante a chegada para a reunião do G7 em Évian-les-Bains, na França, que nunca foi um esquerdista e defendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) adote o modelo brasileiro de votação eletrônica.

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As declarações ocorreram enquanto Lula falava com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Embora a conversa fosse reservada, a transmissão da chegada dos líderes captou o áudio em segundo plano.

Lula relativiza rótulo de esquerda

Na conversa, o presidente fez uma avaliação sobre a alternância de governos de direita e de esquerda nas principais economias ocidentais e disse que a direita permaneceu mais tempo no poder. Ao concluir o raciocínio, afirmou que isso prova que "o mundo não é de esquerda" e declarou: "O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade".

Georgieva, então, disse: "Mas quando você foi presidente pela primeira vez, todo mundo esperava que você fosse um esquerdista, e você não foi".

Lula respondeu, contando uma história sobre não ter conseguido ir à Rússia nos anos 1980: "Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia em que fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista".

Defesa do sistema de votação brasileiro

Antes de tratar de política, Lula explicou passo a passo como funciona a votação no Brasil, da identificação do eleitor à escolha dos candidatos e às restrições no dia da eleição.

"A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei porque a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países", disse Lula. Merz respondeu que "na Alemanha nós não temos" isso, em tom bem-humorado.

O presidente brasileiro também disse que o eleitor leva cerca de 30 segundos para concluir o voto e reforçou a ideia de que o processo é simples. Ele afirmou que as campanhas eleitorais são curtas, que normalmente há quatro ou cinco candidatos à Presidência e declarou ser "o único eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes".

Participação de Lula no G7

A conversa ocorreu pouco antes do início oficial da reunião do G7 desta quarta-feira, em Évian-les-Bains. Lula participa do encontro como convidado e, nos bastidores, aproveitou a interlocução com Merz e Georgieva para comentar tanto o cenário político internacional quanto o modelo de votação utilizado no Brasil.

Com informações do Estadão Conteúdo