
Lula durante lançamento do plano Brasi l Soberano III
Adriano Machado/Reuters
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, durante cerimônia de anúncio da terceira etapa do Plano Brasil Soberano, que o Brasil tem condições de sair fortalecido da atual crise provocada por tarifas dos Estados Unidos e pelo avanço do protecionismo no comércio internacional.
Segundo Lula, não existe crise capaz de interromper a trajetória de expansão da economia brasileira. “Não há crise que impeça o Brasil de seguir a sua trajetória de continuar com a economia crescendo”, disse, ao estimar que o país deve encerrar o atual mandato com crescimento médio de 3% ao ano.
O presidente declarou ainda que o país pode “sair mais fortalecido dessa crise” e citou as negociações entre Mercosul e União Europeia como exemplo de resposta às barreiras comerciais. Para ele, o acordo demonstra que o governo não pretende “ficar lamentando o fato de alguém querer nos prejudicar com taxação”.
Críticas ao protecionismo e foco na negociação
Lula afirmou que o Brasil continuará participando das negociações comerciais, mesmo alegando que “nunca” encontrou reciprocidade plena nas conversas com parceiros que adotam barreiras. Ele reforçou que “ninguém vai ganhar do Brasil mentindo” e defendeu que o país mantenha posição firme nas mesas de diálogo.
“Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar e-mail, se quiserem mandar tuíte, o que mais? Nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas”, declarou o presidente, ao destacar que não vê restrições a conversas, mas que o governo não “vai ficar chorando com o produto que a gente não vendeu”.
Na visão de Lula, o Brasil deve reagir às barreiras abrindo e diversificando mercados, sem depender de um único comprador externo. Ele ressaltou que o país tem alternativa para escoar sua produção e insistiu que o objetivo do plano é garantir competitividade às empresas nacionais em meio ao aumento de disputas e restrições comerciais.
Entenda o plano de R$ 18,5 bilhões
A terceira fase do Plano Brasil Soberano prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos da balança comercial e foram impactadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos, por conflitos internacionais e por medidas protecionistas no mundo.
Do total, R$ 13,5 bilhões virão de recursos do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os valores poderão financiar capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica e adaptação de produtos e processos, além de ações para abrir novos mercados.
De acordo com o governo, essa etapa do programa será viabilizada por uma nova Medida Provisória assinada por Lula, que será enviada ao Congresso Nacional ainda nesta quarta-feira. A MP autoriza o uso de recursos do Tesouro e permite combinar esses valores com fundos próprios do BNDES para ampliar o alcance das operações.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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