Economia

Lula diz que ligará para Trump se negociações sobre tarifas não avançarem

Presidente diz que Brasil quer relação “extraordinária” com Washington, mas pede fim imediato das sanções e das operações militares americanas no Caribe

Da redação
DA REDAÇÃO

04/11/2025 • 14:53 • Atualizado em 04/11/2025 • 15:00

Lula e Trump

Lula e Trump

Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que voltará a telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso não haja avanços nas negociações comerciais entre os dois países até o encerramento da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém (PA).

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“Eu tenho o número dele, ele tem o meu. Não tenho problema em ligar para ele”, disse Lula a repórteres antes do início da cúpula climática. “Quando a COP terminar, se uma reunião entre meus negociadores e os dele ainda não estiver agendada, ligarei para Trump novamente.”

Segundo o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lideram as conversas técnicas e estão “ansiosos para discutir” um acordo que reduza as tarifas impostas por Washington.

Aumento de tarifas e sanções

Em julho, o governo norte-americano elevou em mais de 50% as tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida também foi acompanhada da revogação de vistos e de sanções contra ministros do governo brasileiro e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante uma reunião em 26 de outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia, os dois presidentes discutiram o tema à margem da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). O encontro durou cerca de 50 minutos.

Na ocasião, Lula pediu a suspensão imediata do tarifaço enquanto as negociações comerciais estivessem em andamento. “O Brasil tem interesse em manter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há razão para desavenças. Quando dois presidentes se sentam à mesa, a tendência natural é encontrar um acordo”, afirmou o petista.

Além de Lula e Trump, participaram da reunião o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Crise na Venezuela

Lula também comentou a escalada de tensão na América Latina após a ordem de Trump para ações militares contra embarcações supostamente ligadas a cartéis de drogas na região do Caribe. As operações, segundo o governo norte-americano, teriam como alvo o cartel chefiado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro — o que Caracas nega, classificando a ofensiva como uma “desculpa para intervenção militar”.

O presidente brasileiro afirmou que pedirá diálogo entre os países latino-americanos para evitar o agravamento do conflito. “Eu disse a Trump que a América Latina é uma região de paz. Não quero que cheguemos ao ponto de uma invasão terrestre dos EUA na Venezuela”, declarou Lula.

O líder brasileiro também disse estar considerando participar de uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), na Colômbia, na próxima semana, onde a questão será debatida.

*Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo.