
Lula
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou publicamente, nesta quinta-feira (19), a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Em evento realizado em São Paulo, o mandatário afirmou estar "triste" com a magnitude do corte, uma vez que sua expectativa era de uma redução de, no mínimo, 0,5 ponto. O Banco Central (BC) reduziu os juros básicos da economia de 15% para 14,75% ao ano na reunião finalizada nesta quarta-feira (18).
Lula questionou a justificativa do Banco Central, que atrelou a cautela na condução da política monetária às tensões geradas pela guerra no Oriente Médio. "Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível", declarou o presidente. Ele reforçou que o governo tem feito um esforço considerável para estimular o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda, objetivos que, segundo sua visão, são dificultados pelo patamar elevado dos juros.
Cenário econômico e decisões do Copom
A redução de 0,25 ponto foi decidida por unanimidade pelos membros do colegiado e marca a primeira queda da Selic em quase dois anos. Antes da escalada do conflito internacional, a projeção predominante do mercado financeiro indicava um corte mais agressivo, de 0,5 ponto. Entretanto, o boletim Focus já apontava para a possibilidade de uma redução menor, em linha com o que foi anunciado.
A taxa de 15% ao ano, que vigorava até então, representava o nível mais alto desde julho de 2006. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o Copom promoveu sete elevações consecutivas na Selic para conter a inflação, mantendo-a estável nas quatro reuniões posteriores antes deste início de ciclo de baixa. No comunicado oficial, o BC demonstrou cautela e não descartou revisar o ritmo de quedas caso o cenário de incertezas globais se intensifique.
Inflação e metas para 2026
O Banco Central utiliza a Selic como principal ferramenta para manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, a meta contínua é de 3%, com um intervalo de tolerância que permite que o índice chegue a até 4,5%.
Dados recentes indicam que:
- A inflação oficial acelerou para 0,7% em fevereiro, impulsionada pelo setor de educação.
- O acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, situando-se abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
- A estimativa do mercado para a inflação de 2026 subiu de 3,8% para 4,1%, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio.
A expectativa do mercado financeiro é que a Selic encerre o ano de 2026 em 12,25% ao ano. Para o governo, o desafio permanece em equilibrar o controle inflacionário com a necessidade de evitar a desaceleração excessiva da atividade econômica causada pelo crédito caro.
Com informações da Agência Brasil
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