Resumo
Decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, fixando-a em 14,75% ao ano, representando o primeiro corte desde maio de 2024 e refletindo cautela diante do cenário internacional.
Contexto externo marcado pelo conflito no Oriente Médio elevou a cotação do petróleo e do dólar, pressionando a inflação e aumentando a incerteza, enquanto indicadores nacionais mostraram desaceleração econômica e inflação dentro da meta, justificando o início do ciclo de calibragem da política monetária.
Expectativa do mercado para cortes mais agressivos foi frustrada devido ao aumento dos riscos inflacionários, com o Banco Central sinalizando que decisões futuras dependerão do desenvolvimento da crise internacional e novos dados, e próxima reunião marcada para 28 e 29 de abril.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, fixando-a em 14,75% ao ano.
A decisão, anunciada nesta quarta-feira (18) e tomada por unanimidade, representa o primeiro corte desde maio de 2024, há quase dois anos, quando a taxa estava em 15% ao ano.
Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o movimento era esperado pelo mercado financeiro e reflete um ambiente de alta incerteza, principalmente devido ao conflito no Oriente Médio.
No comunicado oficial, o Copom destacou que o cenário externo "tornou-se mais incerto" e que isso "exige cautela".
A guerra na região tem pressionado os preços internacionais do petróleo, com o barril tipo Brent superando os US$ 100, o que impacta diretamente a inflação no Brasil. A cotação do dólar também refletiu as tensões, alcançando R$ 5,24.
A colunista aponta que, por esse motivo, o comitê optou por não sinalizar os próximos passos do ciclo de cortes, afirmando que as decisões futuras dependerão de novas informações sobre a "profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio".
Contexto da decisão
Apesar do cenário externo adverso, o Banco Central viu espaço para o início do chamado "ciclo de calibragem da política monetária" devido à moderação no crescimento da atividade econômica e a uma amortização nos índices de inflação recentes.
Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, dentro do intervalo da meta de inflação do governo, que tem um teto de 4,5%.
Indicadores da atividade econômica também apontam para uma desaceleração, o que justifica a redução do custo do dinheiro.
Antes da escalada das tensões geopolíticas, parte do mercado esperava um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual.
No entanto, a alta nos preços das matérias-primas, especialmente do petróleo, aumentou os riscos inflacionários e levou a uma postura mais conservadora por parte do BC.
Próximos passos e cenário futuro
O Banco Central deixou claro que o ritmo do afrouxamento monetário dependerá diretamente dos desdobramentos da crise internacional.
A autoridade monetária afirmou que adota uma postura de serenidade e cautela, e que irá incorporar as novas informações para definir os próximos passos.
Segundo o calendário oficial, a próxima reunião do Copom está agendada para os dias 28 e 29 de abril.
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