Band News FM
BandNews FM

Juliana Rosa: Mesmo com corte de juros, cenário externo exige cautela

Primeira redução na taxa Selic em quase dois anos foi de 0,25 ponto porcentual

Da redação
DA REDAÇÃO

19/03/2026 • 11:15 • Atualizado em 19/03/2026 • 11:15

Juliana Rosa
Redes Sociais:
Resumo

Decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, fixando-a em 14,75% ao ano, representando o primeiro corte desde maio de 2024 e refletindo cautela diante do cenário internacional.

Contexto externo marcado pelo conflito no Oriente Médio elevou a cotação do petróleo e do dólar, pressionando a inflação e aumentando a incerteza, enquanto indicadores nacionais mostraram desaceleração econômica e inflação dentro da meta, justificando o início do ciclo de calibragem da política monetária.

Expectativa do mercado para cortes mais agressivos foi frustrada devido ao aumento dos riscos inflacionários, com o Banco Central sinalizando que decisões futuras dependerão do desenvolvimento da crise internacional e novos dados, e próxima reunião marcada para 28 e 29 de abril.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, fixando-a em 14,75% ao ano.

Compartilhar

A decisão, anunciada nesta quarta-feira (18) e tomada por unanimidade, representa o primeiro corte desde maio de 2024, há quase dois anos, quando a taxa estava em 15% ao ano.

Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o movimento era esperado pelo mercado financeiro e reflete um ambiente de alta incerteza, principalmente devido ao conflito no Oriente Médio.

No comunicado oficial, o Copom destacou que o cenário externo "tornou-se mais incerto" e que isso "exige cautela".

A guerra na região tem pressionado os preços internacionais do petróleo, com o barril tipo Brent superando os US$ 100, o que impacta diretamente a inflação no Brasil. A cotação do dólar também refletiu as tensões, alcançando R$ 5,24.

A colunista aponta que, por esse motivo, o comitê optou por não sinalizar os próximos passos do ciclo de cortes, afirmando que as decisões futuras dependerão de novas informações sobre a "profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio".

Contexto da decisão

Apesar do cenário externo adverso, o Banco Central viu espaço para o início do chamado "ciclo de calibragem da política monetária" devido à moderação no crescimento da atividade econômica e a uma amortização nos índices de inflação recentes.

Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, dentro do intervalo da meta de inflação do governo, que tem um teto de 4,5%.

Indicadores da atividade econômica também apontam para uma desaceleração, o que justifica a redução do custo do dinheiro.

Antes da escalada das tensões geopolíticas, parte do mercado esperava um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual.

No entanto, a alta nos preços das matérias-primas, especialmente do petróleo, aumentou os riscos inflacionários e levou a uma postura mais conservadora por parte do BC.

Próximos passos e cenário futuro

O Banco Central deixou claro que o ritmo do afrouxamento monetário dependerá diretamente dos desdobramentos da crise internacional.

A autoridade monetária afirmou que adota uma postura de serenidade e cautela, e que irá incorporar as novas informações para definir os próximos passos.

Segundo o calendário oficial, a próxima reunião do Copom está agendada para os dias 28 e 29 de abril.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: