
Copom mantém cautela e define taxa Selic em
Foto: Agência Brasil
Após nove meses de manutenção dos juros básicos em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006 para tentar conter a inflação em 4,5%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (18), a taxa Selic em 14,75%, na primeira redução dos juros em quase dois anos. A autoridade monetária cortou a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano.
A redução, de 0,25 ponto percentual, segue a cautela do mercado financeiro, após a escalada dos conflito na região do Oriente Médio, que provoca uma forte volatilidade do petróleo.
Ao reduzir a Selic para 14,75%, o Comitê busca garantir a convergência da inflação para a meta, de 4,5%, e, ao mesmo tempo, suavizar as flutuações da atividade econômica para fomentar o pleno emprego. O comunicado oficial do Banco Central reforça que os próximos passos dependerão da "profundidade e extensão" dos conflitos externos. A estratégia é de serenidade e cautela, incorporando novas informações antes de definir a magnitude de novos cortes.
Na última reunião do comite, em janeiro, a expectativa anunciada para março era de queda na taxa, de pelo menos 0,5 ponto percentual, no entanto, os confitos geopolíticos mudaram o rumo das decisões e fizeram as instituições financeiras em todo o mundo adotarem o tom de maior cautela. Com o petróleo mais caro, alimentos, combustíveis e outros itens industriais devem puxar a inflação brasileira.
Nesta quarta-feira (18), chamada de Super Quarta, o Banco Central dos Estados Unidos (FED) também anunciou que decidiu manter, por cautela, a taxa de juros americana entre 3,50% e 3,75%.
O tom de cautela também marcou o dia no câmbio, mas o movimento se intensificou após a decisão de juros nos EUA. No fim do dia, o dólar comercial subiu 0,90%, a R$ 5,24. De acordo com um levantamento da consultoria Lev Inteliigence, a taxa de 14,75% anunciada hoje ainda é a segunda mais alta do mundo, atrás apenas da Turquia (10,38%).
Taxa Selic na rotina do brasileiro
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle.
O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Desse modo, taxas de juros mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, afrouxando o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
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