Economia

Dólar fecha em menor valor desde novembro de 2025 por "fator Groenlândia"

O dólar fechou em queda de 0,68%, a R$ 5,2845 no segmento à vista, recuando 1,64% nesta semana

Estadão Conteúdo, com redação
ESTADÃO CONTEÚDO, COM REDAÇÃO

22/01/2026 • 18:52 • Atualizado em 22/01/2026 • 18:57

O dólar fechou em queda de 0,68%, a R$ 5,2845

O dólar fechou em queda de 0,68%, a R$ 5,2845

Agência Brasil

O menor risco geopolítico, com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ressaltando nesta tarde que um acordo da Groenlândia está sendo costurado, fez com que o dólar fechasse a quinta-feira (22) cotado a R$ 5,28, menor desde 11 de novembro de 2025.

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O dólar fechou em queda de 0,68%, a R$ 5,2845 no segmento à vista, recuando 1,64% nesta semana e perdendo 3,73% no acumulado de 2026. Com isso, o real recupera o valor que tinha antes do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, em 5 de dezembro.

Desde quarta-feira, Trump suavizou o discurso, mencionando que não usaria força para obter território na Groenlândia e suspendendo as tarifas contra países europeus, que eram previstas para fevereiro. Somado a isso, operadores têm ressaltado que o real segue atrativo para carry trade, com expectativa de que o ciclo de flexibilização monetária no Brasil comece apenas a partir de março, e há o entendimento de que a corrida eleitoral de 2026 ainda não está decidida.

Trump ressaltou que a estrutura do acordo da Groenlândia está "sendo trabalhada" e que "será incrível para os EUA". Contudo, a chefe de política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, disse nesta quinta que ainda não teve acesso ao acordo.

Cenário eleitoral e a economia

O Morgan Stanley mencionou, em relatório a clientes, que "o mercado parece estar incorporando uma alternância de poder nas eleições deste ano, que acontecerão em outubro". Isso porque o grupo de ações mais relacionadas a uma mudança de governo subiu 59% em dólar desde janeiro de 2025, enquanto o que tem maior correlação com continuidade de governo avançou 47% no mesmo período.

Ainda assim, o maior vetor para o câmbio nesta quinta-feira, 22, foi o cenário externo. "Com certeza é um movimento global, pois o DXY está caindo e outras moedas emergentes também estão subindo", afirma o economista Guilherme Souza, da Ativa Investimentos, ressaltando que o discurso mais conciliador de Trump, desde ontem, é o principal driver.

O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, nota ainda que há um forte fluxo estrangeiro direcionado a ativos brasileiros, sendo um vetor de baixa sobre o dólar na sessão.

"O Brasil permanece como uma das moedas com maior carry entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar esse ano."