Economia

Tensões pela Groenlândia fazem Parlamento Europeu suspender acordo com EUA

Decisão de congelar tratado comercial deve ser anunciada nesta quarta-feira (21); medida responde a ameaças de Donald Trump sobre território.

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

20/01/2026 • 17:18 • Atualizado em 20/01/2026 • 17:24

União Europeia

União Europeia

REUTERS/Yves Herman

O Parlamento Europeu deve suspender o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos nesta quarta-feira (21). Segundo fontes da mídia internacional, a decisão ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas envolvendo a Groenlândia. O anúncio oficial da interrupção das tratativas é aguardado para as próximas horas.

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Originalmente, os parlamentares europeus votariam a aprovação do texto entre os dias 26 e 27 de janeiro. O entendimento, que contava com amplo apoio político no bloco, previa a eliminação de tarifas europeias sobre a importação de produtos norte-americanos. No entanto, o cenário mudou após as recentes movimentações de Washington.

Consenso entre partidos

De acordo com Iratxe García Pérez, presidente do partido Social-Democrata (S&D), formou-se um "consenso majoritário" entre os diferentes grupos políticos para congelar o pacto. A declaração reforça que a resistência à manutenção do acordo atinge diversas frentes ideológicas dentro do Parlamento.

Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu — o maior bloco conservador da Casa — já havia indicado que a aprovação seria inviável no momento atual. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar vinculou diretamente o impedimento às posturas dos Estados Unidos. "Com as ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia, a aprovação não será possível", afirmou Weber.

Pressão sobre a Casa Branca

A suspensão é vista como um movimento estratégico para sinalizar a insatisfação da Europa com a atual gestão norte-americana. Valerie Hayer, presidente do grupo centrista Renovação, destacou que a medida envia uma mensagem "forte" de descontentamento à Casa Branca.

Além do impacto diplomático, a decisão visa atingir o setor produtivo dos Estados Unidos. Segundo Hayer, o congelamento deve colocar em estado de alerta as empresas norte-americanas que dependem do acesso ao mercado comum europeu, utilizando o fator econômico como ferramenta de pressão política diante das ameaças territoriais.