
Entenda a nova fórmula que evitará altas bruscas de preço do gás
Agência Petrobras
A Petrobras informou que passará a adotar um novo mecanismo de cálculo para definir o preço do gás natural comercializado para as distribuidoras. A estratégia foi desenhada para mitigar oscilações acentuadas do mercado internacional e garantir maior previsibilidade aos valores.
Com a implementação da nova fórmula, a estimativa da Petrobras é que o próximo reajuste, previsto para o dia 1º de agosto, fique na casa dos 6%. Caso a metodologia anterior ainda estivesse em vigor, a projeção era de uma alta de 22%. A estatal ressalta, no entanto, que o percentual de 6% é apenas uma estimativa. O novo método foi aprovado na última quarta-feira (24) e o anúncio oficial foi feito nesta terça-feira (30).
Por contrato, os valores do gás natural são revistos pela Petrobras trimestralmente. O reajuste mais recente ocorreu em 1º de maio, com um aumento médio de 19,2%.
Como funciona o mecanismo
Segundo a Petrobras, a nova fórmula atua como um sistema de proteção contra a volatilidade. O modelo cria bandas — estabelecendo patamares de piso e teto — para o valor do barril do tipo Brent, que serve como referência internacional para o petróleo.
Embora o Brasil seja um grande produtor, o petróleo é uma commodity negociada globalmente e cotada em moeda estrangeira. Ao estabelecer limites de variação, a Petrobras espera suavizar o impacto das altas bruscas no repasse para as distribuidoras que operam no país.
"A medida reduz temporariamente o impacto da alta dos preços, trazendo mais previsibilidade e evitando aumentos bruscos", explicou a estatal por meio de nota enviada à imprensa.
Adesão voluntária e preço ao consumidor
A Petrobras esclareceu que a adoção deste novo modelo de precificação pelas distribuidoras é voluntária e deve ser formalizada por meio de um aditivo aos contratos de fornecimento. "A iniciativa reforça a atuação com foco nas necessidades dos clientes e confirma a atuação competitiva da Petrobras no mercado aberto de gás natural", completou a companhia.
A estatal destacou que o valor final cobrado ao consumidor depende de diversos fatores além do preço do gás na fonte, como:
- Custos de transporte;
- Margens de lucro das empresas;
- Tributos incidentes;
- Margens dos postos de revenda (no caso do Gás Natural Veicular - GNV).
Além disso, a definição das tarifas ao consumidor final depende da aprovação das agências reguladoras estaduais. A empresa reforça que esta alteração na precificação não se aplica ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o tradicional gás de cozinha vendido em botijões.
Cenário de instabilidade
Desde março deste ano, o mercado de derivados de petróleo — que inclui gás, gasolina, diesel e querosene de aviação — enfrenta uma escalada de preços devido às incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio.
A guerra tem impactado a logística global, especialmente com os constantes bloqueios no Estreito de Ormuz, ao sul do Irã. Antes do início das tensões, a rota era responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás. A redução na oferta global tem pressionado os preços para cima.
No Brasil, o Governo Federal tem adotado medidas para tentar conter os aumentos na ponta, como a desoneração tributária temporária e a concessão de subsídios a produtores e importadores, desde que o benefício seja repassado aos consumidores finais.
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