A Polícia Federal prendeu 14 pessoas e cumpriu 43 mandados de busca nesta quarta-feira (25), em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, na Operação Fallax, que apura a ligação de suspeitos com o Comando Vermelho e fraudes de R$ 500 milhões contra a Caixa e outros bancos.
A Justiça Federal expediu 21 mandados de prisão. Além das detenções, a PF obteve o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até R$ 47 milhões para tentar descapitalizar o grupo.
Os agentes apreenderam 67 celulares, 31 notebooks, dinheiro em espécie, cheques, criptoativos, joias e relógios descritos pela PF como existentes "em grandes quantidades" em dois endereços. O balanço parcial registra ainda 385 bens diversos, 25 documentos e uma arma de fogo.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
A investigação começou em 2024, quando a PF identificou um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro baseado na criação em massa de empresas de fachada, com capital social simulado, objeto social genérico e sócio único, usadas para obter crédito de forma ilícita.
Segundo a corporação, o grupo cooptava funcionários de instituições financeiras e usava uma estrutura paralela para movimentar os recursos. Em nota, a PF afirmou que "há indícios de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV)".
O modelo previa o uso temporário dessas empresas, por até um ano e meio. No início, os investigados pagavam as parcelas contratadas e, depois, provocavam inadimplência deliberada, o que dificultava a recuperação dos valores pelos bancos.
Papel do Grupo Fictor no caso
De acordo com a PF, os responsáveis pelo Grupo Fictor exerceram papel relevante no esquema, atuando como núcleo de sustentação financeira e operacional da organização investigada.
Os investigadores apontam que a Fictor injetava recursos para simular movimentações entre empresas ligadas ao grupo, especialmente por meio de pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira.
O grupo também teria participado da criação e gestão de empresas de fachada, viabilizando pagamentos cruzados, geração artificial de faturamento e construção de histórico bancário fictício para a obtenção de crédito.
A Operação Fallax mira o executivo Rafael Góis, CEO do Grupo Fictor, que teve o celular apreendido. O ex-sócio da companhia, Luiz Rubini, também foi alvo de buscas. A defesa dele informou que não teve acesso prévio ao processo e que se manifestará oportunamente.
Assim que a defesa de Rafael Góis tiver acesso ao conteúdo da investigação, prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes com o objetivo de elucidar os fatos
Histórico recente da empresa
Fundado em 2007 como empresa de soluções tecnológicas, o Grupo Fictor atua hoje como holding de participações nos setores de indústria alimentícia, serviços financeiros e infraestrutura.
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou acordo para compra do Banco Master, em consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, e o negócio foi desfeito.
Em fevereiro deste ano, o grupo protocolou pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest no Tribunal de Justiça de São Paulo, declarando dívidas de R$ 4 bilhões e pedindo a suspensão de cobranças por 180 dias.
Com informações do Estadão Conteúdo
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