
Careca do INSS
Lula Marques/ Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão, nesta quarta-feira (11), de Alexandre Moreira da Silva, apontado como um dos últimos foragidos da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema de corrupção e fraudes que resultou no desvio de R$ 6,3 bilhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a corporação, a localização do investigado foi possível após um minucioso trabalho de inteligência e levantamentos de campo.
Alexandre Moreira da Silva é identificado pelas autoridades como integrante do núcleo financeiro de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Dentro da estrutura criminosa, Alexandre tinha a responsabilidade de atuar diretamente na movimentação e na gestão dos valores bilionários desviados do sistema previdenciário, que lesaram milhares de aposentados e pensionistas.
A estrutura do esquema e o 'pagador de vantagens'
As investigações da Operação Sem Desconto revelam que o "Careca do INSS" controla uma rede de 22 empresas, abrangendo setores de consultoria, call center, construção e incorporação, muitas delas compartilhando o mesmo endereço e telefone em Brasília. A suspeita da PF é que essas empresas, com destaque para a Prospect Consultoria Empresarial, eram utilizadas como fachada para intermediar negociações e lavar o dinheiro oriundo das fraudes.
O inquérito detalha a movimentação financeira do grupo:
- Associações suspeitas: CNPJs e pessoas ligadas a Antônio Carlos Antunes receberam R$ 48,1 milhões diretamente de entidades suspeitas de aplicar golpes em aposentados.
- Repasses indiretos: Outros R$ 5,4 milhões foram transferidos por empresas vinculadas a essas associações, totalizando R$ 53,5 milhões em recursos rastreados.
- Corrupção de servidores: O empresário é suspeito de repassar R$ 9,3 milhões a servidores do INSS para viabilizar as irregularidades.
Descrito pela Polícia Federal como o "pagador de vantagens indevidas", Antônio Carlos Antunes é considerado uma peça central no esquema de descontos ilegais nas folhas de pagamento da Previdência. Com a prisão de Alexandre Moreira da Silva, a PF avança na desarticulação do braço financeiro que dava suporte à gestão do patrimônio desviado. O preso foi encaminhado à unidade da Polícia Federal para o cumprimento dos procedimentos legais.
Com informações do Estadão Conteúdo
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