Economia

Presidente da Colômbia defende Pix após críticas dos EUA e pede extensão

Gustavo Petro pediu a expansão do sistema à Colômbia e rebate relatório americano criticado por Lula, que reafirmou que o Brasil não vai mudar o Pix

Da redação
DA REDAÇÃO

06/04/2026 • 09:22 • Atualizado em 06/04/2026 • 09:22

Gustavo Petro, presidente da Colômbia e o presidente Lula

Gustavo Petro, presidente da Colômbia e o presidente Lula

Ricardo Stuckert/PR

Resumo

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu publicamente o sistema de pagamentos Pix do Brasil e criticou diretamente a política dos Estados Unidos após relatório da gestão Trump questionar o modelo financeiro brasileiro.

O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA classificou o Pix como possível barreira comercial, alegando favorecimento a empresas nacionais e levantou preocupações sobre regulação de plataformas digitais e tributação de compras internacionais, o que gerou resposta do presidente Lula reafirmando a autonomia brasileira sobre o sistema.

A manifestação de Petro reforçou críticas à lista OFAC e ao controle político americano, defendeu uma integração financeira regional baseada no Pix e destacou o papel do sistema brasileiro na transformação do setor financeiro e na promoção de alternativas às grandes empresas globais de pagamento.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix e fez críticas diretas à política dos Estados Unidos, em meio à repercussão de um relatório da gestão de Donald Trump que questiona o modelo financeiro adotado pelo Brasil.

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Em publicação na rede social X, Petro pediu que o Brasil amplie o Pix para outros países da América Latina, incluindo a Colômbia. “Peço ao Brasil que estenda o sistema Pix à Colômbia, e que deixe de considerar a lista OFAC, que já não serve", escreveu o presidente colombiano, ao criticar também mecanismos de sanção econômica utilizados pelos EUA.

A manifestação ocorre dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o governo brasileiro não pretende fazer qualquer mudança no sistema de pagamentos. “O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, disse Lula, durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Salvador.

A fala de Lula foi uma resposta direta ao relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão ligado ao governo Trump. O documento aponta o Pix como uma possível barreira comercial, alegando que o sistema — criado e operado pelo Banco Central — poderia favorecer a plataforma pública em detrimento de empresas privadas estrangeiras, como Visa e Mastercard.

No mesmo texto, o USTR também levanta preocupações sobre outras políticas brasileiras, como a regulação de plataformas digitais e a tributação sobre compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”. As conclusões fazem parte de uma investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial americana, que pode abrir caminho para a imposição de tarifas adicionais contra produtos brasileiros.

Críticas aos EUA e defesa de integração regional

Na longa publicação, Petro ampliou o tom crítico à política externa dos Estados Unidos, classificando a lista OFAC — usada para sanções econômicas — como um instrumento “controle político absurdo”. Segundo ele, o mecanismo perdeu eficácia no combate ao narcotráfico e passou a ser utilizado para pressionar adversários políticos ao redor do mundo.

O presidente colombiano também defendeu uma governança global mais democrática e criticou conflitos internacionais, além de fazer ataques a lideranças políticas e ao que chamou de “extrema direita”.

Ao citar diretamente o Pix, Petro sinaliza interesse em uma integração financeira regional baseada no modelo brasileiro, que permite transferências instantâneas e gratuitas entre usuários. A proposta, no entanto, dependeria de acordos técnicos e institucionais entre os países.

Pix no centro de disputa internacional

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento no Brasil, com ampla adesão da população e de empresas. A eficiência e o baixo custo do sistema têm sido apontados como fatores de transformação no setor financeiro.

A inclusão do Pix no relatório do USTR, no entanto, elevou o debate ao campo geopolítico e comercial. Enquanto o governo brasileiro defende o modelo como um avanço tecnológico e de inclusão financeira, autoridades americanas argumentam que ele pode afetar a competitividade de empresas estrangeiras.

A manifestação de Gustavo Petro reforça o apoio internacional ao sistema brasileiro e amplia a discussão sobre a criação de alternativas regionais aos modelos tradicionais dominados por grandes empresas globais de pagamento.