Economia

Venda de cimento cai 5,1% em fevereiro sob impacto de chuvas e calendário

Retração mensal de 5,1% é atribuída ao volume de chuvas e menos dias úteis; setor vê sustentação no programa Minha Casa, Minha Vida e no mercado imobiliário

Da redação
DA REDAÇÃO

09/03/2026 • 17:25 • Atualizado em 09/03/2026 • 17:33

Cimento

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Reuters

As vendas de cimento no Brasil registram queda de 5,1% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 4,9 milhões de toneladas comercializadas. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), apontam ainda uma retração acumulada de 1,9% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

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De acordo com a análise da entidade setorial, o resultado negativo no fechamento mensal é reflexo direto de dois fatores conjunturais: o calendário reduzido do mês e o elevado volume de chuvas, que atingiu com maior intensidade as regiões Sudeste e Centro-Oeste, dificultando o ritmo das obras. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste apresentam desempenho resiliente e mantêm índices de crescimento.

Desempenho por dia útil e mercado imobiliário

Apesar da queda no volume total mensal, a comercialização de cimento por dia útil apresenta um avanço de 4,5% em fevereiro, atingindo a marca de 244,1 mil toneladas. O indicador sugere que, descontados os entraves climáticos e o número menor de dias trabalhados, o ritmo de consumo do insumo supera o patamar registrado no ano anterior.

O SNIC avalia que a sustentação do setor permanece atrelada ao vigor do mercado imobiliário e aos indicadores positivos de emprego e renda no país. Em 2025, as vendas e os lançamentos de imóveis atingiram recordes de 5,4% e 10,6%, respectivamente. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolida-se como o principal motor da indústria, respondendo atualmente por 52% de todos os lançamentos habitacionais no território nacional.

Desafios do crédito e endividamento

No entanto, o setor produtivo alerta para obstáculos que podem limitar o crescimento a longo prazo. O elevado endividamento das famílias e a manutenção da taxa Selic em patamares restritivos são apontados como os principais desafios para o acesso ao crédito.

Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) reforçam essa preocupação, indicando uma retração de 30,43% nos financiamentos para construção em 2025. Esse cenário evidencia um descompasso entre a demanda habitacional e a capacidade de financiamento do setor privado, tornando a indústria ainda mais dependente de políticas públicas e subsídios governamentais para manter o ritmo de produção.

Com informações do Estadão Conteúdo