Economia

Volkswagen planeja demissão de até 100 mil e fechamento de fábricas

Plano de reestruturação do grupo automotivo inclui o encerramento de atividades em quatro complexos na Alemanha e redução drástica de investimentos

Da redação
DA REDAÇÃO

26/06/2026 • 14:08 • Atualizado em 26/06/2026 • 16:03

Volkswagen planeja demitir até 100 mil funcionários

Volkswagen planeja demitir até 100 mil funcionários

REUTERS/Fabian Bimmer

O Grupo Volkswagen projeta uma reestruturação histórica que pode resultar no corte de até 100.000 empregos em escala global nos próximos anos. Conforme informações da revista alemã Manager Magazin, divulgadas também pela agência Reuters, as medidas de austeridade avaliadas pelo CEO da companhia, Oliver Blume, contemplam também o fechamento de quatro fábricas localizadas na Alemanha. O volume de demissões estipulado no novo plano corporativo dobra a meta anterior da montadora, que previa a eliminação de 50.000 postos de trabalho.

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A reforma estrutural responde a uma forte pressão de mercado enfrentada pelas fabricantes europeias.

O setor automotivo regional registra perdas decorrentes da expansão de concorrentes chinesas no segmento de veículos elétricos, como a BYD, além da retração nas vendas globais em mercados estratégicos, incluindo a China e os Estados Unidos. Os altos custos exigidos para a transição energética global e as novas tarifas de importação agravam o cenário financeiro da empresa.

Fechamento de unidades e divisão de operações

A estratégia operacional da montadora prevê o encerramento das atividades produtivas a médio prazo em três complexos da marca principal na Alemanha: Hanover, Zwickau e Emden.

A medida atinge as linhas de montagem após o encerramento do ciclo dos modelos automotivos atualmente em fabricação. Além das três unidades, o plano de desinvestimento inclui o fechamento de uma fábrica da Audi, marca controlada pelo grupo, situada em Neckarsulm.

Para conter os gastos operacionais, a presidência da Volkswagen propõe a separação jurídica da marca principal "VW" e da divisão interna responsável pela fabricação de autopeças, transformando-as em entidades independentes por meio de um processo de spin-off.

O plano financeiro estabelece um teto de pouco mais de 130 bilhões de euros (cerca de 148 bilhões de dólares) para os aportes planejados para os próximos cinco anos, o que representa uma redução de 15% nos investimentos. O objetivo central do grupo é cortar 11 bilhões de euros em custos fixos até o ano de 2030.

Calendário institucional e resistência sindical

Oficialmente, a direção da Volkswagen não se manifesta sobre os documentos sigilosos do plano de reestruturação, limitando-se a declarar que o grupo necessita passar por transformações estruturais profundas diante do atual panorama econômico.

O planejamento detalhado das demissões e cortes orçamentários tem apresentação agendada ao conselho fiscal da montadora para o dia 9 de julho.

A proposta de cortes enfrenta oposição imediata das organizações trabalhistas alemãs. Representantes dos empregados e dirigentes do sindicato IG Metall, uma das maiores associações de trabalhadores do país, afirmam que pretendem deflagrar resistência contra as demissões em massa e o encerramento das atividades fabris em solo alemão.

Atualmente, o quadro de funcionários global da Volkswagen soma cerca de 657.000 trabalhadores, e o corte estimado de 100.000 vagas representa a redução de aproximadamente 15% a 16% da força de trabalho total do grupo.

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