Educação

Médicos brasileiros formados no Paraguai trocam Revalida pela Itália

Dificuldade em revalidar diploma no Brasil faz graduados no Paraguai buscarem o mercado europeu; Itália surge como principal destino

Da redação
DA REDAÇÃO

30/03/2026 • 15:25 • Atualizado em 30/03/2026 • 15:25

 Paraguai é um dos maiores polos de estudantes de medicina brasileiros na América Latina

Paraguai é um dos maiores polos de estudantes de medicina brasileiros na América Latina

Divulgação/Inspirali

Após anos de dedicação em universidades do Paraguai, o sonho de exercer a medicina no Brasil esbarra em uma barreira rigorosa: o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida). Diante da baixa taxa de aprovação e da burocracia no processo nacional, uma nova rota tem ganhado força entre os profissionais brasileiros: a Europa, com destaque para a Itália.

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O movimento reflete uma mudança de planos para milhares de estudantes que cruzam a fronteira em busca de mensalidades mais acessíveis e processos de ingresso menos concorridos. Embora o objetivo inicial seja quase sempre o retorno ao país de origem, a realidade do mercado e as facilidades oferecidas por outros países estão redesenhando carreiras.

No Brasil, o processo de revalidação é obrigatório para quem se forma no exterior e deseja atuar tanto no setor público quanto no privado. No entanto, as dificuldades do exame têm impulsionado a busca por alternativas internacionais onde a carência de profissionais de saúde abre portas para estrangeiros.

De acordo com a médica Gabriela Rotili, especialista no acompanhamento desses processos, a Itália surge como um destino estratégico. O país europeu enfrenta um déficit histórico de médicos e possui acordos que facilitam o reconhecimento de diplomas estrangeiros, desde que cumpridos requisitos específicos de proficiência linguística e equivalência curricular.

Por que a Itália?

A escolha pelo país europeu não é por acaso. Além da qualidade de vida e da infraestrutura de saúde, o processo italiano é visto como mais previsível do que o brasileiro por alguns graduados.

“Muitos brasileiros fazem medicina em países como Paraguai, Argentina ou Bolívia pensando inicialmente em voltar ao Brasil. Mas, quando conhecem o processo de reconhecimento do diploma na Itália, percebem que existe um caminho possível para exercer a profissão na Europa”, explica Gabriela Rotili.

A transição, contudo, exige planejamento. Para atuar em solo italiano, o médico precisa enfrentar etapas de tradução juramentada de documentos, comprovação de carga horária e, em muitos casos, a obtenção da cidadania europeia ou de vistos específicos de trabalho que permitam a fixação de residência.

Cenário no Paraguai

Atualmente, o Paraguai é um dos maiores polos de estudantes de medicina brasileiros na América Latina. Estima-se que dezenas de milhares de brasileiros estejam matriculados em faculdades paraguaias, atraídos por custos que chegam a ser um terço dos praticados em instituições particulares no Brasil.

Com a formação concluída, o dilema se apresenta: aguardar as edições do Revalida ou investir em uma carreira internacional. Para quem escolhe a segunda opção, o mapa da medicina brasileira deixa de ser local para se tornar global.

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