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Como superar a dificuldade em matemática para passar em medicina

Especialista mostra como estudar para vestibulares concorridos, mesmo com dificuldade em matemática, e transformar a disciplina em aliada na aprovação

4 min

31/05/2026 11:00 • Atualizado há 146 dias

Como superar a dificuldade em matemática para passar em medicina

A dificuldade em matemática é uma das principais barreiras para quem sonha com uma vaga em medicina. Muitos estudantes acreditam que o problema é individual; no entanto, pesquisas nacionais indicam que é estrutural.

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De acordo com o Pisa 2022, avaliação internacional da OCDE, 73% dos estudantes brasileiros não atingem o nível básico de proficiência em matemática. Já o Saeb 2023 indica que apenas cerca de 5% dos alunos da rede pública concluem o ensino médio com aprendizado adequado na disciplina.

“O problema não é você”, afirma Daniel Gonzales, diretor-geral da Faculdade NeuroSaber, matemático e especialista em aprendizagem. Segundo ele, a dificuldade em matemática é resultado de lacunas acumuladas ao longo da formação escolar e, justamente por isso, pode ser corrigida.

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Defasagem em matemática tem solução

A lógica, segundo o especialista, é simples: matemática funciona como uma escada. Quando um conteúdo não é compreendido, muitas vezes o erro não está no tema atual, mas em um “degrau” anterior mal construído, como frações, proporção ou álgebra básica.

Segundo Gonzales, a boa notícia é que essa lacuna pode ser preenchida. “Você não precisa recomeçar do zero. Precisa achar o degrau solto e consertar a partir dali”, explica.

Em um ciclo de quatro a seis meses, com método adequado, é possível sair de uma base fraca para um desempenho competitivo em provas como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares de alta concorrência.

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O primeiro passo é o diagnóstico: resolver questões de diferentes níveis e identificar exatamente onde estão as travas. Em seguida, localizar o conteúdo-base que precisa ser reconstruído. A partir daí, o estudo deve combinar revisão e prática.

Crédito: IA

Crédito: IA

Os erros que mais travam o estudante

Entre os candidatos que tentam “correr atrás do prejuízo”, alguns padrões se repetem. Para Gonzales, o principal erro é começar pelo nível da prova sem dominar o básico. “Isso gera frustração e reforça a sensação de incapacidade”, alerta. Outro equívoco comum é confundir esforço com método. “Assistir às aulas sem praticar, por exemplo, cria uma falsa sensação de aprendizado”, reforça.

Também pesam negativamente atitudes como decorar fórmulas sem entender a lógica, estudar todos os conteúdos com o mesmo peso e adiar o treino com simulados. Para quem tem dificuldade, não se trata de escolher entre revisar teoria ou resolver exercícios; o avanço depende da combinação dos dois.

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Matemática se aprende fazendo, errando e refazendo. Daniel Gonzales.

A estratégia mais eficiente começa com a identificação das chamadas “quatro vigas” da matemática: fração, proporção/porcentagem, álgebra básica e funções. São esses pilares que sustentam a maior parte das questões do Enem e dos vestibulares.

A rotina ideal divide o tempo de estudo em duas frentes: metade para reconstruir a base e metade para treinar questões do que já é dominado. Com o tempo, o peso da prática aumenta, até que o estudante esteja preparado para simulados completos.

O que mais cai e onde focar

No Enem, o foco está menos na conta e mais na interpretação. O candidato precisa transformar situações do cotidiano em problemas matemáticos. Entre os conteúdos mais cobrados estão proporção, porcentagem e estatística básica, além da leitura de gráficos e tabelas. Geometria e funções também aparecem com frequência.

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Já nos vestibulares mais concorridos, entram conteúdos mais densos, como trigonometria e geometria analítica. A orientação é começar pelo bloco de maior retorno —proporção, porcentagem, estatística e gráficos —e avançar gradualmente.

Daniel Gonzales afirma que as lacunas em matemática podem ser corrigidas I Crédito: Neurosaber/Divulgação

Daniel Gonzales afirma que as lacunas em matemática podem ser corrigidas I Crédito: Neurosaber/Divulgação

Bloqueio em matemática não é falta de inteligência

A ansiedade é outro fator que pesa. Segundo Gonzales, o bloqueio ocorre porque o medo ocupa o espaço da memória de trabalho, essencial para o raciocínio lógico.

A saída passa por estratégias simples e consistentes: começar por exercícios mais fáceis, estudar diariamente por períodos curtos, escrever o raciocínio passo a passo e separar o momento de aprender do momento de treinar com tempo cronometrado.

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No dia a dia, pequenas práticas também ajudam a desenvolver o raciocínio: estimar valores, pensar em proporções em situações reais e, sobretudo, entender o que cada problema está pedindo antes de resolver.

Na experiência do especialista, o avanço em matemática não depende de talento, mas de postura. Quem evolui acredita que pode aprender, encara o erro como ferramenta e mantém constância.

Mais do que isso: troca a pergunta “será que eu tenho dom?” por “onde estou errando e como corrigir?”.

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Diante de um cenário em que a maioria dos estudantes termina o ensino médio sem domínio adequado da disciplina, entender que a dificuldade é estrutural não é uma desculpa, e sim o ponto de partida.

Para quem quer medicina, isso faz toda a diferença. Em cursos com notas de corte elevadas, cada ponto conta. E transformar a matemática de obstáculo em aliada pode ser o passo decisivo para a aprovação.

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