
Atléticas de medicina funcionam como laboratório de gestão e liderança para futuros médicos
Arquivo Pessoal/Mais foco
Muito além das quadras e dos campeonatos, as atléticas de medicina têm se consolidado como espaços estratégicos na formação profissional dos estudantes. Organizadas como associações sem fins lucrativos, essas entidades atuam na promoção do esporte, da integração social e, principalmente, no desenvolvimento de competências que não são ensinadas em sala de aula.
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É o que relata Leonardo Magalhães Garcia, 24, estudante do 5º semestre de medicina na Universidade Anhembi Morumbi. A relação com a atlética começou antes mesmo da aprovação no vestibular, durante os anos de cursinho. "Sempre via conteúdos sobre atlética e ouvia histórias de amigos. Aquilo despertou em mim uma vontade de fazer parte."
Ao ingressar na faculdade, Garcia foi convidado para um treino de handebol e não saiu mais. O envolvimento inicial evoluiu para uma participação ativa na gestão da atlética, começando pelo setor de esportes até chegar à presidência.
“A atlética se comporta como uma empresa. Temos setores como financeiro, comunicação, eventos, recursos humanos e patrocínio. Cada área tem responsabilidades bem definidas”, explica.
Na prática, a estrutura inclui presidência, vice-presidência e nove setores, responsáveis por atividades que vão desde a organização de treinos e campeonatos até a gestão financeira e a realização de ações sociais. A arrecadação vem de associações de alunos, eventos e venda de produtos, o que exige planejamento orçamentário constante.
Soft skills que fazem diferença na medicina
Ao longo da trajetória, o estudante destaca o desenvolvimento de habilidades comportamentais fundamentais para a carreira médica. “Aprendi comunicação, liderança, trabalho em equipe, oratória e gestão de pessoas. São competências que não se ensinam em aula, mas que fazem toda a diferença na prática médica”, diz.
A experiência na presidência intensificou esse aprendizado. Responsável por coordenar equipes, liderar reuniões e definir estratégias, ele passou a lidar com situações de pressão e tomada de decisão, cenários comuns também no ambiente hospitalar.
Outro ponto central é o trabalho em equipe. “Na medicina, ninguém trabalha sozinho. A atlética ensina desde cedo a importância de atuar de forma integrada, respeitando o papel de cada um”, afirma.
Desafios e impacto na formação médica
A rotina, no entanto, não é simples. Conciliar estudos, treinos, gestão e vida pessoal exige disciplina e organização. “Nosso dia tem 24 horas. O que muda é a capacidade de gerir o tempo. A atlética ensina isso na prática”, ressalta.
Além disso, há desafios estruturais, como o combate ao estigma de que atlética é sinônimo de desorganização. “Na verdade, ela contribui para a saúde física e mental dos estudantes e para uma formação mais completa”, defende.
A organização de grandes competições, como ligas universitárias, também exige logística complexa, envolvendo transporte, alojamento, inscrições e preparação dos atletas, um processo que pode durar meses.
Para Garcia, o principal valor da atlética está na formação humana. “A medicina exige preparo técnico, mas também emocional. A atlética ajuda a tornar esse caminho mais leve e mais completo”, afirma.
Ele também destaca o impacto das conexões criadas ao longo da jornada. “As memórias e o networking que construí são para a vida toda, tanto no pessoal quanto no profissional.”
A experiência, segundo ele, transformou não apenas sua trajetória acadêmica, mas também o médico que está se tornando. “Valeu a pena. Faria tudo de novo”, conclui.
Como funciona a estrutura de uma atlética de medicina
As Associações Atléticas Acadêmicas (AAAs) são entidades estudantis sem fins lucrativos voltadas à promoção da saúde física e mental e à integração entre alunos, por meio do esporte, eventos e ações sociais. Na prática, funcionam como uma empresa, com estrutura organizacional definida e gestão própria.
Segundo Garcia, que atualmente ocupa o cargo de presidente da atlética, na Medicina Anhembi Morumbi, por exemplo, a atlética é composta por presidência (presidente e vice-presidente) e nove setores: comunicação, produtos, esportes, eventos, patrocínio social, patrocínio, recursos humanos, secretaria e tesouraria.
Cada área possui um diretor responsável e equipes que executam funções específicas. A comunicação cuida da produção audiovisual; produtos desenvolvem e comercializam itens da atlética; a tesouraria administra o planejamento financeiro; esportes organiza treinos, equipes e competições; eventos promove ações e atividades; patrocínio social lidera iniciativas com a comunidade; patrocínio busca parcerias e recursos; a secretaria organiza a documentação; e o setor de recursos humanos gerencia processos internos e a resolução de conflitos.
A arrecadação vem de associações de alunos, eventos e venda de produtos, o que exige planejamento financeiro contínuo. Além disso, ex-integrantes —incluindo estudantes e médicos formados— atuam como conselheiros, contribuindo com experiência e orientação para as novas gestões.
