Brasil terá 1,15 milhão de médicos em 2035, mas desigualdade regional segue

Apesar da projeção de 5,25 profissionais por mil habitantes, país enfrenta “desertos médicos”, com concentrações extremas no Distrito Federal e escassez no Maranhão

Da redação
DA REDAÇÃO

23/03/2026 • 18:13 • Atualizado em 23/03/2026 • 18:13

Aumento de médicos no país não acompanha distribuição equilibrada entre as regiões

Aumento de médicos no país não acompanha distribuição equilibrada entre as regiões

Divulgação/ Freepik

O Brasil deve atingir a marca de 1,15 milhão de médicos em atividade até 2035, alcançando uma densidade de 5,25 profissionais para cada mil habitantes, segundo aponta o estudo Demografia Médica no Brasil 2025. O número supera os índices de muitos países desenvolvidos, mas esconde um paradoxo central: o crescimento acelerado da categoria não garante o fim dos vazios assistenciais no interior do país.

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Atualmente, o fenômeno da “explosão” de médicos mostra que a população de profissionais saltou de pouco mais de 113 mil em 1980 para uma estimativa de quase 600 mil ao final de 2024. No entanto, esse aumento numérico não resolveu a má distribuição geográfica, mantendo a existência de “desertos médicos” em estados como Maranhão, Pará e Amapá.

Disparidade entre estados e capitais

A concentração de profissionais revela um abismo entre as diferentes regiões brasileiras. Enquanto o Distrito Federal projeta quase 12 médicos por mil habitantes para a próxima década, o Maranhão deve permanecer com apenas 2,43 profissionais para o mesmo grupo populacional.

A desigualdade é ainda mais evidente quando se analisa o Índice de Distribuição (IDCI). Nas capitais, a oferta de médicos por habitante é, em média, 366% superior à do interior. Estados como Sergipe, Roraima e Amazonas apresentam as discrepâncias mais críticas do país, com capitais hiperassistidas em contraste com cidades vizinhas desprovidas de atendimento básico.

Vazios assistenciais no interior

A carência é severa em pequenos municípios com menos de 5.000 habitantes, onde a média é de apenas 0,51 médico por mil habitantes. Atualmente, 19 macrorregiões de saúde operam em situação de escassez crítica, localizadas principalmente no Norte e Nordeste. No Amazonas, encontram-se as duas regiões com menor assistência do país.

O relatório aponta que a simples abertura de novas faculdades de medicina não soluciona o problema. O mercado privado e os grandes centros urbanos seguem absorvendo a maior parte da força de trabalho, deixando áreas sem infraestrutura em segundo plano. Para reverter esse cenário, o sistema de saúde depende de políticas públicas permanentes que incentivem a fixação de especialistas em áreas remotas.

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