
Aumento de médicos no país não acompanha distribuição equilibrada entre as regiões
Divulgação/ Freepik
O Brasil deve atingir a marca de 1,15 milhão de médicos em atividade até 2035, alcançando uma densidade de 5,25 profissionais para cada mil habitantes, segundo aponta o estudo Demografia Médica no Brasil 2025. O número supera os índices de muitos países desenvolvidos, mas esconde um paradoxo central: o crescimento acelerado da categoria não garante o fim dos vazios assistenciais no interior do país.
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Atualmente, o fenômeno da “explosão” de médicos mostra que a população de profissionais saltou de pouco mais de 113 mil em 1980 para uma estimativa de quase 600 mil ao final de 2024. No entanto, esse aumento numérico não resolveu a má distribuição geográfica, mantendo a existência de “desertos médicos” em estados como Maranhão, Pará e Amapá.
Disparidade entre estados e capitais
A concentração de profissionais revela um abismo entre as diferentes regiões brasileiras. Enquanto o Distrito Federal projeta quase 12 médicos por mil habitantes para a próxima década, o Maranhão deve permanecer com apenas 2,43 profissionais para o mesmo grupo populacional.
A desigualdade é ainda mais evidente quando se analisa o Índice de Distribuição (IDCI). Nas capitais, a oferta de médicos por habitante é, em média, 366% superior à do interior. Estados como Sergipe, Roraima e Amazonas apresentam as discrepâncias mais críticas do país, com capitais hiperassistidas em contraste com cidades vizinhas desprovidas de atendimento básico.
Vazios assistenciais no interior
A carência é severa em pequenos municípios com menos de 5.000 habitantes, onde a média é de apenas 0,51 médico por mil habitantes. Atualmente, 19 macrorregiões de saúde operam em situação de escassez crítica, localizadas principalmente no Norte e Nordeste. No Amazonas, encontram-se as duas regiões com menor assistência do país.
O relatório aponta que a simples abertura de novas faculdades de medicina não soluciona o problema. O mercado privado e os grandes centros urbanos seguem absorvendo a maior parte da força de trabalho, deixando áreas sem infraestrutura em segundo plano. Para reverter esse cenário, o sistema de saúde depende de políticas públicas permanentes que incentivem a fixação de especialistas em áreas remotas.

