
Missões ajudam futuros médicos a compreender que cuidar da saúde também significa reduzir desigualdades e transformar comunidades
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Na medicina, o atendimento ao paciente não acontece apenas em hospitais e consultórios. Em regiões ribeirinhas, aldeias indígenas, comunidades vulneráveis e até em cenários de desastres naturais, médicos e estudantes encontram experiências que transformam não apenas quem recebe atendimento, mas também quem escolhe servir.
O tema é debatido no episódio 43 do podcast Quero Estudar Medicina, que recebe o ginecologista e obstetra Rodrigo Dias Nunes, líder de projetos humanitários da Inspirali, ecossistema de referência em educação médica e responsável por mais de 30 missões realizadas em diferentes regiões do Brasil e da África.
Durante a conversa, a apresentadora Babi Fava destaca que muitos estudantes ingressam na faculdade pensando apenas na futura especialidade ou na rotina hospitalar. No entanto, a medicina oferece possibilidades muito mais amplas, incluindo atuação em projetos sociais, educação em saúde e ações humanitárias.
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Assista ao episódio completo:
Missões humanitárias ampliam a formação médica
Segundo Nunes, participar de missões humanitárias permite que estudantes desenvolvam competências que vão além do conhecimento técnico. Além do raciocínio clínico, os participantes aprendem a lidar com situações de escassez de recursos, tomada rápida de decisão, trabalho em equipe e adaptação a diferentes realidades sociais e culturais.
"O estudante aprende medicina na faculdade. Na missão, ele aprende a essência de ser médico", resume.
Atualmente, as ações envolvem atendimentos em comunidades indígenas, regiões ribeirinhas da Amazônia, Vale do Jequitinhonha, Araguaia, sertão nordestino e municípios em situação de vulnerabilidade social, além de expedições internacionais na África.
Muito além do atendimento médico
As missões não têm como objetivo apenas realizar consultas. As equipes também promovem educação em saúde, capacitação de profissionais locais e fortalecimento da rede pública de atendimento.
Segundo Rodrigo, o trabalho ganhou ainda mais força após a pandemia de Covid-19, quando muitas regiões passaram a enfrentar aumento da demanda reprimida por consultas e tratamentos.
Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo, equipes coordenadas pelo médico atenderam milhares de pessoas em abrigos improvisados e distribuíram medicamentos e insumos em diferentes municípios afetados pela tragédia.
Hoje, além das expedições nacionais e internacionais, estudantes participam de ações permanentes de voluntariado nas próprias faculdades, atuando em mutirões, comunidades quilombolas, aldeias indígenas, creches, asilos e atendimentos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O que o estudante aprende fora da sala de aula
Para Nunes, uma missão humanitária ensina habilidades que dificilmente seriam desenvolvidas apenas em ambientes tradicionais de ensino. Entre elas estão empatia, resiliência, liderança, comunicação e capacidade de encontrar soluções diante de situações complexas.
"Nem sempre teremos todos os recursos disponíveis. A missão ensina que o médico precisa saber cuidar das pessoas independentemente do cenário", afirma. Segundo ele, muitos estudantes relatam que, após participar das primeiras ações, passam a enxergar a profissão de maneira diferente e descobrem novos propósitos dentro da medicina.
Medicina também é transformação social
Ao longo da entrevista, Nunes relembra experiências marcantes vividas em países africanos e em comunidades brasileiras de difícil acesso, onde o atendimento médico representa, muitas vezes, a única oportunidade de assistência à população.
Para ele, o maior aprendizado dessas experiências é compreender diferentes realidades e exercer uma medicina baseada na escuta, no respeito e na compaixão.
Não basta sentir a dor do outro. É preciso fazer alguma coisa para ajudá-lo. Rodrigo Dias Nunes
O médico também reforça que projetos humanitários não são exclusivos de profissionais experientes. Estudantes podem participar desde os primeiros períodos da graduação, desenvolvendo um perfil cada vez mais valorizado na formação médica.
Mais do que fortalecer o currículo, as missões ajudam futuros médicos a compreender que cuidar da saúde também significa reduzir desigualdades e transformar comunidades.
Não perca o próximo episódio do podcast
Na próxima edição, o Quero Estudar Medicina recebe a estudante Celene Popes, que cursa o segundo semestre de Medicina na UNIFACS, na Bahia, para conversar sobre sua trajetória até a aprovação no vestibular e a realização do sonho de ingressar na faculdade após sete anos de cursinho.
O programa será transmitido nesta terça-feira, às 20h, no canal Band Jornalismo no YouTube.

