
Ansiedade, sobrecarga e medo do futuro já afetam estudantes desde o ensino médio
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A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e para vestibulares concorridos, como o de medicina, costuma ser marcada por longas horas de estudo, cobranças e expectativas. Para muitos estudantes, no entanto, o desafio vai além do conteúdo das provas: preservar a saúde mental tornou-se parte essencial da jornada rumo à aprovação.
A pressão por um bom desempenho começa cada vez mais cedo, ainda no ensino médio. O medo de não corresponder às expectativas, aliado às comparações nas redes sociais e à necessidade de escolher uma carreira precocemente, pode aumentar os níveis de ansiedade, estresse e esgotamento emocional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão, os transtornos de ansiedade e os problemas comportamentais estão entre os principais desafios de saúde enfrentados por adolescentes em todo o mundo. No contexto do pré-vestibular, cuidar do equilíbrio emocional deve caminhar lado a lado com a preparação acadêmica.
Para Rafaela Lemos, coordenadora de orientação educacional do Colégio Poliedro, a elevada expectativa em relação ao futuro profissional tem impactado estudantes cada vez mais cedo.
Muitos jovens iniciam o ensino médio carregando uma cobrança excessiva sobre suas escolhas, o que gera um sentimento constante de insuficiência e afeta o equilíbrio emocional. Rafaela Lemos
Na avaliação da educadora, o vestibular não deve ser encarado como uma prova definitiva do valor pessoal. Desenvolver habilidades como organização do tempo, tolerância à frustração e autocuidado também faz parte da preparação para processos seletivos altamente concorridos.

Estudantes em atiidade relaxante durante horário de aula I Crédito: Colégio Poliedro/Divulgação
Desde 2025, o Colégio Poliedro desenvolve, em algumas unidades, um projeto voluntário de acolhimento para estudantes do ensino médio. A iniciativa reúne atividades voltadas à saúde socioemocional, como arteterapia, yoga e técnicas de respiração.
O objetivo, segundo Rafaela, é oferecer estratégias práticas para que os alunos consigam lidar de forma mais saudável com momentos de nervosismo e períodos de maior cobrança. “São recursos que contribuem para concentração, autocuidado e autorregulação”, afirma.
De acordo com a coordenadora, os efeitos percebidos vão além dos encontros promovidos ao longo do ano letivo. “Temos observado alunos incorporando técnicas de respiração e relaxamento ao cotidiano de estudos.” Além disso, ela pontua que as atividades têm contribuído para reduzir o estresse e melhorar a concentração durante as aulas.

Crédito: IA
A preparação para medicina e outros cursos concorridos exige dedicação, mas o desempenho também depende de uma mente saudável. Cuidar da saúde mental não significa estudar menos. Significa criar as condições necessárias para aprender melhor, manter a motivação e enfrentar os desafios do vestibular de forma mais equilibrada.

