Medicina é para você? Veja como avaliar antes de escolher o curso

Experiências reais, autoconhecimento e contato com diferentes áreas ajudam a entender se o curso combina com seu perfil e objetivos

PRISCILLA VIERROS

13/08/2026 • 15:35 • Atualizado em 13/08/2026 • 16:21

Conhecer a rotina da profissão pode ser decisivo antes de tomar uma decisão

Conhecer a rotina da profissão pode ser decisivo antes de tomar uma decisão

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Escolher uma profissão aos 17 ou 18 anos pode parecer uma decisão definitiva. Quando o objetivo é cursar medicina, a pressão costuma ser ainda maior. A concorrência no vestibular, os anos de formação e a responsabilidade da profissão fazem muitos estudantes se perguntarem se têm o chamado “perfil para medicina”.

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Para muitos, a aprovação é tratada como a realização de um sonho. Mas, para alguns estudantes, a dúvida sobre a escolha profissional surge justamente depois de entrar na faculdade: “Eu realmente gosto de medicina? Não me adaptei ao curso ou escolhi a profissão errada? Será que tenho o perfil para ser médico?”

O que realmente motiva você?

Antes de pensar na aprovação, é importante entender a origem do interesse pela carreira. Você gosta da área da saúde ou da ideia de ser médico? Tem curiosidade sobre o funcionamento do corpo humano? Gosta de estudar ciências da natureza? Sente interesse pelo contato com pacientes? Ou a escolha está relacionada a expectativas familiares, prestígio, estabilidade financeira ou ao desejo de seguir uma profissão socialmente admirada?

Gostar de biologia, ter facilidade para estudar ou querer ajudar outras pessoas podem influenciar a escolha, mas não determinam, isoladamente, se alguém será um bom médico. Também é preciso diferenciar o interesse pela área da saúde do desejo de exercer a profissão. Conhecer a rotina médica é fundamental para avaliar se a carreira corresponde ao que o estudante espera para o futuro.

Para a estudante de medicina da Universidade Anhembi Morumbi Mooca e criadora de conteúdo Olívia Amarante, esse processo envolve autoconhecimento e diferentes experiências. Antes de escolher medicina, Olívia chegou a considerar medicina veterinária e artes cênicas. No ensino médio, ao se aproximar das disciplinas de biológicas, percebeu que a carreira médica poderia unir seu interesse pelo cuidado ao lado humano e comunicativo.

Olívia Amarante, estudante do 6º semestre de medicina I Arquivo Pessoal

Olívia Amarante, estudante do 6º semestre de medicina I Arquivo Pessoal

A chegada à faculdade, porém, não confirmou imediatamente a escolha. Depois de três anos em medicina, ela trancou o curso e foi estudar publicidade e propaganda. Durante cerca de dois anos, trabalhou na área e no meio artístico.

A experiência ajudou a perceber que gostar de uma área não significa necessariamente querer transformá-la em profissão. Ao retornar para medicina, Olívia também passou a compreender melhor dificuldades que havia enfrentado na graduação. Ela descobriu que tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e encontrou uma metodologia de ensino mais adequada ao seu perfil.

Existe um perfil ideal para medicina?

Durante a preparação para o vestibular, é comum associar o estudante de medicina à disciplina, competitividade, notas altas e capacidade de estudar por muitas horas. Esse modelo pode fazer com que quem não se reconhece nele questione a própria capacidade.

Ter dificuldades durante a formação, porém, não significa necessariamente falta de vocação. É preciso identificar a origem do problema: está no conteúdo, no método de ensino, na organização dos estudos, no ambiente acadêmico ou na própria identificação com o curso?

A experiência fez Olívia rever a ideia de que existe um tipo específico de pessoa destinado à medicina. Para ela, empatia, interesse pela profissão e vontade de ajudar são mais importantes do que se encaixar em um estereótipo.

“Pode ser estudante de medicina qualquer pessoa que seja empática, qualquer pessoa que goste da medicina de fato e qualquer pessoa também que tem essa vontade de ajudar o outro”, disse.

Na avaliação dela, escolher medicina também não significa abandonar outras características e interesses pessoais. Uma pessoa pode continuar dançando, fazendo teatro ou pintando mesmo depois de escolher medicina. “É como se a medicina fosse ser a sua personalidade a partir daquele dia. E são coisas completamente diferentes”, pontua.

Crédito: IA

Crédito: IA

Conhecer a profissão antes de escolher

Buscar contato com a realidade da carreira também pode ajudar na decisão. Conversar com médicos, conhecer diferentes áreas de atuação e entender como funciona a formação permite construir uma visão menos idealizada da profissão.

O médico oncologista Ângelo Bezerra conta que, durante a graduação, participou de diferentes atividades práticas e acadêmicas. Uma delas foi uma iniciação científica em um hospital de câncer, experiência que o aproximou da Oncologia. Ele também participou de uma liga acadêmica da área.

Para o médico, experimentar diferentes possibilidades ajuda o estudante a tomar decisões mais conscientes. “Quando a gente vivencia as coisas, os caminhos vão se clareando”, afirma.

Por isso, chegar à faculdade com uma especialidade definida não significa que a escolha precise ser definitiva. A medicina reúne áreas com rotinas e formas de trabalho diferentes, e uma especialidade que parece atraente inicialmente pode não corresponder às expectativas quando conhecida de perto.

Para Ângelo, é o contato com diferentes experiências que ajuda a transformar uma ideia sobre a profissão em uma escolha baseada na realidade. “Quando a gente vivencia as coisas, os caminhos vão se clareando”, conclui.

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