Dermatologia: como é a carreira do médico que trata pele, cabelos e unhas

Especialista explica a rotina da profissão, os desafios da área e por que a dermatologia vai muito além da estética

PRISCILLA VIERROS

03/07/2026 • 11:03 • Atualizado em 03/07/2026 • 11:03

Especialidade é responsável por diagnosticar, prevenir e tratar doenças

Especialidade é responsável por diagnosticar, prevenir e tratar doenças

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A dermatologia é uma das especialidades médicas mais conhecidas do público, muitas vezes associada apenas a procedimentos estéticos. No entanto, a prática clínica vai muito além da aparência e envolve diagnóstico de doenças complexas, acompanhamento contínuo de pacientes e atuação em diferentes frentes da saúde da pele, cabelos e unhas.

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Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre especialidades médicas, desenvolvida para auxiliar estudantes de medicina na escolha de suas futuras carreiras. O objetivo é apresentar os bastidores, os desafios e a realidade prática de cada área, oferecendo um guia realista para quem está prestes a decidir seu caminho profissional.

Para entender como é a rotina de um dermatologista na prática, o Quero Estudar Medicina ouviu a médica Ingrid Campos, 33, formada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, com residência em clínica médica pela Santa Casa de São Paulo e em dermatologia pela Faculdade de Medicina do ABC. Ela também possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Ingrid Campos I Arquivo Pessoal

Ingrid Campos I Arquivo Pessoal

Segundo a médica, o interesse pela área surgiu de forma gradual, a partir de experiências durante a graduação. “Foi durante um projeto de extensão, em um estágio de dermatologia na FAMERP, que entendi o impacto profundo que problemas dermatológicos e capilares têm na autoestima das pessoas”, relata.

Ingrid conta que chegou a cogitar outras áreas, como endocrinologia e nutrologia, mas foi a dermatologia que uniu diferentes interesses. “O que pesou na decisão foi entender que a especialidade permite profundidade clínica aliada a uma relação íntima com o paciente e resultados que preservam a individualidade”, explica.

Como é a rotina da dermatologista

O dia a dia da especialidade é marcado por uma rotina intensa e altamente técnica. Ingrid atende em uma clínica multidisciplinar na região dos Jardins, em São Paulo, ao lado de equipes de endocrinologia, ginecologia e nutrologia, com foco em atendimento integrado.

A rotina começa cedo. “Acordo às 6h, faço meditação, tomo café, vou à academia e inicio os atendimentos por volta das 10h. Termino em torno das 18h, mas em períodos de pico posso sair depois das 22h."

A médica explica que meses como outubro e novembro são especialmente intensos, devido à preparação de pacientes para o verão. A carga semanal varia entre 42 e 48 horas, podendo chegar a 60 horas em períodos de congressos e atualização científica.

Outro ponto central da dermatologia é a atualização constante. “Participo de congressos pelo menos uma vez ao mês. A especialidade não para de evoluir, principalmente com novas tecnologias e protocolos”, afirma.

Mitos sobre a dermatologia e o papel clínico da especialidade

Um dos principais equívocos sobre a área, segundo Ingrid, é a ideia de que a dermatologia se limita à estética. “Na prática, diagnosticamos doenças sistêmicas pela pele, tratamos cânceres, doenças autoimunes e muitas vezes somos os primeiros a identificar problemas internos”, explica.

A pele funciona como uma ‘janela do corpo’, exigindo raciocínio clínico apurado e formação médica sólida. Ingrid Campos

Apesar da valorização crescente da especialidade, a dermatologia também traz desafios. Segundo ela, o mais difícil é lidar com a pressão estética impulsionada por redes sociais. “O mais desgastante é lidar com expectativas irreais de pacientes influenciados por filtros e tendências digitais”, diz.

Para ela, a dermatologia também exige visão de mercado e atualização constante. Ingrid destaca que, além da formação médica, é necessário desenvolver habilidades de comunicação e posicionamento profissional.

“O mercado está cada vez mais competitivo. Hoje não basta um bom diploma, é preciso saber se comunicar e mostrar o próprio trabalho”, afirma.

Ela acrescenta que o retorno financeiro tende a ser atrativo, mas não imediato. “Nos primeiros anos após a residência, o ganho ainda é modesto se for apenas clínica. A combinação com tecnologias e procedimentos faz diferença na consolidação da carreira.”

Uma especialidade entre ciência e estética

Para Ingrid, a dermatologia representa um equilíbrio entre ciência médica e resultados visíveis. “É uma medicina de verdade com impacto direto na autoestima e na qualidade de vida dos pacientes”, resume.

Mesmo diante da rotina intensa, ela afirma não se arrepender da escolha. “Se pudesse voltar no tempo, escolheria dermatologia novamente. É uma especialidade desafiadora, mas extremamente recompensadora.”

Para quem deseja seguir essa área, a recomendação da profissional é que o futuro médico tenha em mente que a especialidade é muito mais complexa do que estética. “O estudante precisa amar a medicina antes da estética e buscar sempre a beleza autêntica e natural”, conclui Ingrid.