Ele adiou o sonho da medicina, mas conseguiu a aprovação um ano depois

Luiz Arthur trabalhou, enfrentou incertezas financeiras e usou a nota do Enem para conquistar a vaga

PRISCILLA VIERROS

20/06/2026 • 11:00 • Atualizado em 20/06/2026 • 11:00

No 3º período, ele divide a rotina entre estudos e atividades extracurriculares

No 3º período, ele divide a rotina entre estudos e atividades extracurriculares

Arquivo pessoal

A decisão de cursar medicina raramente nasce de um único momento. No caso de Luiz Arthur Gomes de Oliveira Faria, 20, estudante da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH), ela foi sendo construída ao longo da vida, entre influências familiares, pausas forçadas e escolhas que exigiram maturidade.

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Filho de Marcelo Soares de Albuquerque Mello e Luiza Nogueira Gomes de Albuquerque Mello, ele cresceu em um ambiente onde a área da saúde já fazia parte do cotidiano. A mãe, biomédica, despertou cedo sua curiosidade pelo corpo humano. “Sempre compartilhou comigo curiosidades sobre o corpo humano”, relembra. O interesse, no entanto, não seguiu uma linha reta.

Na adolescência, Luiz Arthur se afastou da ideia de ser médico. O foco passou a ser o jiu-jítsu, prática que, segundo ele, deixou um legado importante: a resiliência. Foi essa mesma disciplina que mais tarde ajudaria a retomar o plano inicial.

A virada veio por meio do diálogo com a família. Com o apoio dos pais, ele voltou a direcionar os estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No terceiro ano do ensino médio, em 2023, conquistou uma pontuação expressiva. Ainda assim, a aprovação não significou ingresso imediato na faculdade.

A realidade financeira falou mais alto. Apesar do crescimento da empresa da família, não havia condições de arcar com os custos de uma mudança de cidade, somados à mensalidade do curso. A decisão foi esperar.

Marcelo e Luiza, pais de Luiz Arthur, são base para o sonho da medicina I Crédito: Arquivo Pessoal

Marcelo e Luiza, pais de Luiz Arthur, são base para o sonho da medicina I Crédito: Arquivo Pessoal

Um ano de pausa, trabalho e incertezas

O ano de 2024 foi dedicado ao trabalho ao lado do pai. “Aprendi todos os ofícios da empresa”, conta. A pausa, no entanto, trouxe ansiedade. Para não ficar parado, chegou a iniciar outra graduação online, mas desistiu pouco depois. “Eu sabia que queria ser médico.”

A oportunidade veio no início de 2025, em uma conversa que reuniu os pais e o avô, Inácio Gomes da Silva. Com o cenário financeiro mais estável, Luiz Arthur utilizou a nota do Enem e garantiu a vaga em medicina na Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH), em Vespasiano (MG).

A nova fase exigiu adaptações. Deixar a cidade natal, Dores do Indaiá, e lidar com a distância da namorada foram desafios imediatos. “O início exigiu desapego e resiliência”, resume. A solução veio na organização da rotina e no alinhamento de objetivos em comum.

Hoje, no 3º período, ele vive uma rotina intensa. Divide o tempo entre aulas, academia, namoro e o jiu-jítsu. No ambiente acadêmico, mergulhou nas ligas de Trauma e de Neurociências e já participou de congressos, além de acompanhar uma cirurgia plástica, experiência que, segundo ele, ampliou seu interesse por especialidades como neurocirurgia e cirurgia plástica.

Quando esperar também faz parte do processo

Ao olhar para trás, Luiz Arthur reforça que o tempo de espera não foi um atraso, mas parte da formação. Para ele, esse período de incertezas e decisões difíceis foi um intervalo importante para a construção da base que sustenta seu próprio projeto de vida.

Para Luiz, que tem sua trajetória marcada por pausas e recomeços, a medicina exige mais do que vocação. Exige constância, capacidade de adaptação e disposição para abrir mão de confortos no curto prazo. “É um caminho longo, por vezes solitário, mas gratificante e humano”, afirma.

Segundo ele, o conselho para quem deseja seguir o mesmo caminho é que disciplina e responsabilidade são inegociáveis. “Ficar parado também é uma escolha”, afirma.